A água que não vemos, mas consumimos

A água que não vemos, mas consumimos30% da população mundial vive com escassez de água. Na África ou na Ásia há pessoas que percorrem mais de seis quilômetros para encontrar água potável. Com um alerta de que em 2025 três em cada cinco pessoas podem viver com falta de água, o livro “Your Water Footprint” (o impacto que cada um de nós tem no planeta em relação à água) pretende mostrar a quantidade que se consome diariamente na América do Norte, e não apenas aquela que se vê.

“Um norte-americano consome em média 378 litros [de água] por dia para tomar banho, lavagens [de roupa, ou louça, por exemplo], cozinhar e limpar”, refere o livro. Mas a isso pode juntar 2.400 litros de água gastos para produzir o cheeseburger que comeu no almoço e 110 litros para produzir a cerveja que o acompanhou. Plantar, criar, transformar, transportar, embalar, também consome este bem vital. “Espero que as pessoas entendam o quão importante é a ‘água escondida’”, diz ao Observador Stephen Leahy, autor do livro e jornalista ambiental.

O desafio foi-lhe lançado pela editora Firefly Books. Quando fez uma pequena pesquisa sobre o tema percebeu que não há nada que façamos no nosso dia-a-dia que não inclua (ou tenha incluído) gastos de água. “Queria ajudar as pessoas a perceber que apesar de não vermos a água usada para fazer as coisas é tão real e importante como a água que bebemos.” Durante as pesquisas descobriu que o termo “water footprint” (“pégada de água”) tinha sido criado há já 20 anos por Arjen Hoekstra, professor em Gestão de Água na Universidade de Twente, na Holanda.

O maior consumidor de água é a produção de alimentos, em particular a produção animal, um dos assuntos abordados no documentário Cowspiracy. O autor diz que os números de consumo de água usados no documentário são muito semelhantes àqueles a que chegou no livro, mas admite que existem várias fórmulas diferentes e teve de procurar a fonte mais fidedigna. No livro ressalva que muitos dos valores estão adaptados à realidade norte-americana (Canadá, de onde é natural, e Estados Unidos) e explica o que entende por consumo de água – “a água usada que não é devolvida numa localização acessível para ser reutilizada”, ou seja, que fica poluída ou que evaporando vai cair num local distante.

“A Terra tem a mesma quantidade de água doce que tinha no tempo dos dinossauros”, lê-se no livro. “A diferença é que a maior parte da nossa água doce está congelada nas calotas polares ou na Groenlândia. A outra diferença é que encontramos inúmeras utilizações para a água com as quais os dinossauros nunca sonharam.”

Apesar de muitos dos valores de consumo estarem adaptados à realidade norte-americana o problema da escassez de água é mundial – se toda a água do mundo coubesse num garrafão de cinco litros, a quantidade de água potável disponível seria menos que uma colher de chá.

O Observador também disponibilizou em seu site gráficos em português, que demonstram de maneira didática o consumo virtual de água, com destaque à exorbitante quantidade de água gasta para se produzir itens de origem animal.
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