Animais dos circos do México vivem situação trágica

Há 4 mil animais “à deriva”. Alguns morreram, outros foram abandonados; nenhum chegou a algum santuário até o momento.

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A Profepa resgatou recentemente 20 animais doentes, abandonados por circos

Mary, uma elefanta que viveu por mais de 20 anos no circo, foi vendida a um particular, na sequência da adoção da “lei dos circos sem animais” no México. O comprador a levou para o zoo Benito Juarez Morelia, mas em menos de quatro meses o animal morreu por falta de cuidados e negligência de seus “novos proprietários”.

Alguns exemplares dos estimados 4.000 animais provenientes dos circos, morreram; outros já foram vendidos para o exterior; muitos foram parar no mercado negro ou foram abandonados e nenhum, dizem os circos, chegou vivo para algum santuário no exterior.

A lei que proíbe o uso de espécimes de animais selvagens em circos entrar em vigor em 8 de julho, mas já à meses, alguns dos 183 circos que o Ministério do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (SEMARNAT) têm registrados, desapareceram.

A Procuradoria Federal de Proteção Ambiental (Profepa) afirmou ter recuperado nos últimos meses vários animais abandonados por alguns circos ,na sequência da adoção da lei de circos sem animais, promovido pelo Partido Verde e apoiado por artistas como Kate del Castillo, Eugenio Derbez e Sergio Mayer.

A Profepa implementou um programa nacional de inspecção aos circos e no ano passado, ao visitar cerca de 22 destes, em 14 foram detectadas irregularidades, sendo que três não tinham a autorização para o uso de animais em suas atividades, de acordo com a Lei Geral de Vida Selvagem.

“A Profepa não está recebendo animais, não dizem a verdade. Eles querem que nós entreguemos nossos animais, mas eles têm que entender que os animais são propriedade das famílias de circo, nos custaram muito dinheiro, ninguém nos deu, e não vamos entregá-los assim sem mais nem menos “, disse uma domadora.

Recentemente, em Yucatan, as autoridades relataram resgatar 20 animais silvestres em más condições de saúde, abandonados em gaiolas sem comida por seus proprietários.

Inclusive, Raul Julia, filho do famoso ator de Hollywood fez a promessa de que a organização dos EUA Shambala colocaria vários animais em diferentes santuários.

Mas os circos disseram que nada disso é verdade, ninguém os está ajudando e não sabem o que fazer com os animais que estão morrendo de fome, já que vários fecharam as portas.

O Sindicato Nacional dos Empresários e Circo Artistas (UNEAC) estima que existam cerca de 4.000 animais de todos os tipos e, a nível nacional, de acordo com relatos, alguns foram vendidos para zoológicos privados e outros no exterior.

Autoridades do Distrito Federal mexicano disseram na época que apoiariam os circos, por declaração de José Ramon Amieva, chefe do Departamento Jurídico e de Serviços Jurídicos do Distrito Federal.

“Vamos trabalhar com os proprietários e funcionários para ajudá-los através de benefícios fiscais, para que possam se adaptar”, disse ele na época; mas o apoio não chegou.

A Semarnat, junto com a Profepa, asseguraram que seriam responsáveis por eles, e que trabalhariam para que “a partir de julho todos tenham um destino, de acordo com o respeito que devemos a todas as espécies animais”.

Mas ante o recente abandono de animais, a Profepa pediu aos circos que entreguem a lista de exemplares, para que estes sejam direcionados aos melhores locais para o seu apoio e cuidado.

A Profepa anunciou que neste mês 25 animais serão transferidos para o Wild Animal Sanctuary, localizado em Denver, Colorado.

A reportagem do site El Economista não ouviu as organizações de defesa animal.

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