Animais falam. Vamos ouvir.

animais falam; vamos ouvirA notícia de que um elefante em um zoológico coreano criou uma maneira inteligente de imitar a fala humana recentemente chamou atenção da mídia internacional. Seu feito engenhoso consiste em contorcer sua tromba e dobra-la de volta à boca para proferir palavras humanas, algo que só pode ter sido resultado de pensamento e experimentação.

O elefante claramente estudou as instruções e conversas de seus tratadores e trabalhou nisto com afinco, para conseguir chamar a atenção deles. Não é preciso ser um tradutor interespécies para entender que, enquanto este cara solitário está dizendo: “Sente-se” ou “Olá”, em coreano, na linguagem universal da amizade e empatia sua mensagem é: “Eu estou aqui. Reconheça-me . ” Afinal, que indivíduo mantido em cativeiro não anseia pela família e pela liberdade?

Este grande ser cinza e inteligente foi um passo além do que Nim Chimpsky, o macaco famoso que tinha sido ensinado a linguagem americana de sinais, e que surpreendeu Carl Sagan por acenar, “Deixe-me sair.” E um passo a mais do que a baleia beluga entediada em uma instalação de San Diego, que de forma tão convincente imitava a fala humana, ordenando a um mergulhador para “sair” de seu tanque, de tal forma que o mergulhador pensou que seus colegas estavam lhe pregando uma peça.

As pessoas muitas vezes pensam que os animais não têm voz, mas é claro que possuem, mesmo além de seu mimetismo minucioso de nossas palavras. Eles “falam” o tempo todo, especialmente um para o outro. O problema é que não os ouvimos; achamos seus ruídos irritantes ou não nos importamos em ouvir ou responder.

As outras espécies nos dão um banho com seus talentos multilingues.

O burburinho subsônico dos elefantes é usado para avisar outros elefantes a um quilômetro de distância da abordagem de caçadores armados. As evidências empíricas sobre o poder do cérebro de elefantes levou os cientistas a começar a desenvolver um dicionário atual de linguagem elefante. Não só retumbando, mas ronronando, alardeando, gritando, cantarolando – todas essas vocalizações têm significados específicos e significativos. Quando os bebês elefantes são laçados e arrastados de suas mães desesperadas, para apanharem e terem seus espíritos quebrados para o circo, seus tratadores relatam que os bebês recém-capturados têm pesadelos e choram em seu sono.

Mas certamente não são apenas elefantes. Estudos mostram que os cães prestam muita atenção naqueles que os domesticaram e que eles sabem, em média, 200 palavras humanas sem ser que lhes seja ensinada uma única.

Qualquer um que tenha vivido com um gato instantaneamente sabe a diferença entre um miau que diz: “Saia da cama – Eu quero o meu café da manhã,” um som vibrante que transmite a mensagem de que um esquilo foi avistado e o lamento sofrido indicando que um dedo do pé foi acidentalmente pisado.

O que soa como cliques e assobios para nós é realmente uma linguagem complexa e sofisticada compartilhada por golfinhos, de acordo com um estudo recente. Como o engenheiro acústico Jack Kassewitz colocou, “Tenho certeza de que os golfinhos adorariam ter a oportunidade de falar com a gente – se não por outro motivo que a auto-preservação.”

Não só os corvos falam uns com os outros, observadores de campo também descobriram que esses pássaros inteligentes usam seus bicos e asas para fazer gestos. Por que isso importa? Antes de se aprender a falar, bebês humanos apontam e usam gestos para obter ou dirigir a atenção – um precursor essencial para aprender a falar. Esta é a primeira vez que os investigadores viram gestos usados na natureza por animais não primatas.

Em um estudo de campo, os pesquisadores descobriram que papagaios selvagens usam chamadas únicas para nomear seus bebês, que são instantaneamente identificáveis. Ao ouvir um nome chamado, outros papagaios podem distinguir gênero, bem como o companheiro e a família a que o papagaio pertence, assim como fazemos quando alguém nos chama pelo nome.

As vozes dos animais não são menos reais do que a nossa. É o grito agonizante de um touro sendo esfaqueado em uma praça de touros menos angustiado do que o de uma vítima humana a morrer em um beco?

Sobre o escritor

Ingrid Newkirk E. é a presidente de Pessoas para o Tratamento Ético dos Animais – PETA

fonte: McClatchy

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