Animais do Parque da Água Branca em SP sofrem com abandono

Parque demitiu funcionários responsáveis pelos cuidados com os animais, que hoje sofrem por fome, problemas de saúde e se reproduzem descontroladamente

escoteiros

Escoteiros alimentando animais no parque. Crédito da imagem: Alexandre Battibugli/Veja

O Parque Doutor Fernando Costa, conhecido como Parque da Água Branca, na Zona Oeste de São Paulo, têm centenas de aves soltas pela área de 137.000 metros quadrados, inculindo patos, marrecos, galinhas d’angola e caipira, galos e pavões. Estes animais, no entanto, vêm enfrentando sérios problemas decorrentes da falta de cuidados. As informações são da Veja.

Desde fevereiro, não há mais um veterinário fixo responsável por eles. Em agosto, os dez funcionários que cuidavam dos animais e os alimentavam com 600 quilos mensais de ração foram dispensados pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA), que administra o lugar. Como consequência disso, dezenas de animais ficaram debilitados e ao menos dois morreram.

Há dois meses, o Grupo Escoteiro Tiradentes 107, que tem sede no local há 47 anos e atualmente conta com 95 crianças e adolescentes, prontificou-se a dar comida às aves. Uma equipe de voluntários, formada por sete frequentadores e moradores vizinhos também contribui, levando os animais a clínicas veterinárias e doando remédios. A atriz Julia Bobrow, 30, resgatou um galo à beira da morte. “Ele ficou três dias internado, com infecção”, relata ela, que gastou mais de 1 000 reais no tratamento e o devolveu sadio ao parque.

Devido a cortes sofridos pela SMA, a verba de manutenção do Água Branca vem caindo nos últimos tempos. Com menos dinheiro, o parque começou a gastar menos com serviços básicos, como limpeza e cuidados com os animais. Para piorar, a quantidade de aves cresce de forma descontrolada. Hoje são cerca de 1.000 indivíduos, população 25% maior que a de quatro anos atrás.

No fim de setembro, a secretaria minimizou o problema da falta de funcionários com um acordo envolvendo 22 detentas em regime semiaberto do Centro de Progressão Penitenciária de São Miguel Paulista. A cada três dias trabalhados no parque, um é abonado na pena. Só que a maior parte delas se ocupa da manutenção e da limpeza do local e, por isso, não cuida exclusivamente dos animais. “Até o ano que vem, conseguiremos repor as vagas dos empregados dispensados”, disse Ricardo Salles, secretário do Meio Ambiente. “Em breve, vamos ter um estagiário de veterinária. Enquanto isso não ocorre, encarregamos um profissional da área para visitar o lugar todos os dias.”

De acordo com funcionários do parque ouvidos pela reportagem de Veja, no entanto, o técnico só aparece por lá uma vez a cada quinze dias. A SMA também estuda uma maneira de controlar a proliferação dos animais, diz a reportagem.

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