Sobre aquários e animais em cativeiro

Construção do AquaRio mobiliza defensores dos direitos animais

Sobre aquários e animais em cativeiroFaz pelo menos 12 anos que a construção de um gigantesco aquário na Zona Portuária do Rio foi anunciada publicamente pela prefeitura. Desde então, foram divulgados diferentes projetos e marcadas várias datas de inauguração. A obra, totalmente privada, tem data de conclusão estimada para abril de 2015.

O AquaRio está sendo construído no que sobrou de um antigo frigorífico cedido em 2007 pela prefeitura. Sócias na obra desde 2012, as empresas Cataratas do Iguaçu (que opera no Parque Nacional do Iguaçu e no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha), Esfeco (administradora da Estrada de Ferro do Corcovado) e Bel-Tur (transportadora) têm o patrocínio de R$ 10 milhões da Coca-Cola. Está previsto o investimento de outros R$ 80 milhões na primeira fase, mas o total pode passar de R$ 140 milhões quando tudo estiver pronto.

O projeto mais recente, que prevê cinco andares e 22 mil metros quadrados de área construída, sofreu modificações, como a retirada da área de água doce, com peixes do Pantanal e do Amazonas, que deve ficar para a segunda fase, assim como outra, que poderá receber até um urso polar.

A “atração” principal, será um tanque oceânico com 3,3 milhões de litros de água. Toda essa água será sustentada por painéis de acrílico transparentes.Entre as espécies, aparecerão por trás do acrílico tubarões mangona e lambaru de até três metros, arraias e grandes peixes oceânicos como xaréu, olho-de-boi e dourado. Parte dos animais será pescada ou comprada no comércio internacional; outra, trocada com aquários do mundo.

Também será aberto um grande tanque onde será possível mergulhar ao lado de peixes e arraias. Num outro,com os tubarões.
Ao todo, serão 25 tanques com oito mil animais de 300 espécies. Há uma parceria com o Departamento de Biologia Marinha da UFRJ para a criação do Centro de Pesquisas Científicas. São esperados até cinco mil visitantes por dia, das 9h às 18h. Informações do Globo.

Um manifesto pela paralisação da construção do AquaRio ocorrerá nesta sexta, 31, na Praia do Botafogo, às 14:00rs, organizado por ativistas dos direitos animais.

Também circula na internet uma petição pública contra a construção do Aquario do Rio.

Diga não aos aquários e zoológicos

Aquários públicos e zoológicos pelo mundo afora utilizam a justificativa da preservação e educação ambiental para existirem. No entanto, o verdadeiro objetivo da maioria destas empresas – que cobram altos valores nos ingressos – é financeiro. Boa parte dos animais mantidos nestas prisões são comprados para seres expostos e nenhum deles retornará à vida em seu habitat natural.

Mesmo considerando que a motivação principal seja preservação, há questionamentos quanto à sua validade. Em entrevista concedida ao portal Terra, Sônia T. Felipe declara:  “O que os zoos fazem é procurar a reprodução biológica de espécies ameaçadas de extinção. Mas, quando falamos em preservar espécies não pensamos que uma espécie seja constituída apenas por sua bagagem genética. Cada espécie animal precisa de um espírito específico, que permita a preservação daquele tipo de vida de forma autônoma. Isso os zoos não podem fazer. No máximo, o que eles preservam, é o banco genético.

Ao serem mantidos no cativeiro por tempo muito longo, refiro-me aos indivíduos da primeira geração posta em confinamento, os animais apagam pouco a pouco a memória que constituía seu “espírito” específico. Se duas ou três gerações são mantidas nesse cativeiro, não resta conhecimento algum que permita aos jovens nascidos em confinamento saber interagir no espaço natural e social que seria próprio de sua espécie de vida.

Guardamos, assim, o patrimônio genético, que é matéria biológica. Matamos o patrimônio genuinamente “animal” dessas espécies. Temos apenas “organismos” destituídos de “mente” específica. Por esse motivo, reproduzir animais em zoos não garante que sua espécie de vida seja preservada. Insisto: manter um corpo funcionando não é tudo quando se trata da riqueza espiritual que cada espécie viva representa.”

Tomemos como exemplo animais do aquário de São Paulo. De acordo com reportagem da Folha de agosto de 2013, o aquário – que apesar do nome, é homologado como zoológico e abriga também espécies terrestres e aéreas – O espaço existe há oito anos e reúne 300 espécies.

Entre os animais cativos, um tubarão-mangona de 75 kg comprado já senil de um zoológico argentino, para virar “estrela” no zoológico paulistano. O animal de 18 anos só se alimenta se o tratador lhe colocar a comida na boca. “Se eu não for atrás, ele não come”, garante o tratador.

E o lobo-marinho Thunder, capturado numa praia do Rio de Janeiro enquanto repousava na areia. Condenado à prisão perpétua em um tanque por descansar no lugar errado na hora errada, com o passar do tempo o animal se “acostumou” ao contato humano; entretanto, sua cabeça e lombo têm machucados que ele mesmo se inflige. “É de bater nas pedras”, diz a bióloga Bruna Schwarz. Quem nasceu livre dificilmente se acostuma à vida com paredes.

“Bichos em isolamento tendem a ter comportamento estereotipado. Há alguns que se automutilam”, afirma a bióloga Bruna Schwarz.

Boicote

A maneira mais eficiente de nos posicionarmos contra aquários e zoológicos é através da conscientização, da educação e do boicote. Não financiar estes locais, não ensinar às crianças que aprisionar animais pelo resto de suas vidas para servir aos nossos  interesses é aceitável e manifestar-se contra a criação de novos centros de confinamento, como ocorre com o futuro AquaRio.

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