Efeito do aquecimento global nos oceanos será “nefasto” e de consequências “imprevisíveis” no próximo meio século

Efeito do aquecimento global nos oceanos será “nefasto” e de consequências “imprevisíveis” no próximo meio séculoO estado de saúde dos oceanos está cada vez mais deteriorado, na sequência do aquecimento global. A água torna-se cada vez mais ácida por absorver mais CO2 e a poluição e pesca “predatória” causam impactos à vida marinha. Nos próximos 50 anos, os efeitos “são nefastos e imprevisíveis”.

O alerta partiu do investigador Luís Pedro Coelho, imigrante português no Luxemburgo, que há dois anos trabalha no projeto Tara Oceans’, no Instituto Europeu de Biologia Molecular de Hiedelberg (EMBL), na Alemanha.

O projeto está em destaque na edição de Maio da Science Magazine’, uma das mais prestigiadas publicações mundiais do gênero. Luís Pedro Coelho, investigador na área da biologia computacional, é o primeiro co-autor de um dos artigos científicos.

“O oceano é o maior ecossistema da Terra e ainda sabemos muito pouco sobre ele. Este projcto estuda plâncton à escala planetária e teve como objetivo recolher amostras dos microorganismos que povoam os oceanos. As amostras recolhidas revelam que cerca de 80% dos 40 milhões de genes referenciados no projeto eram, até agora, desconhecidos da ciência”, explicou, ao Luxemburger Post, o investigador.

Entre 2009 e 2013, o consórcio multinacional ‘Tara Oceans’ recolheu amostras de plâncton microscópico em 210 locais das maiores regiões oceânicas mundiais, em profundidades até aos dois mil metros.

“As alterações climáticas, nomeadamente o aquecimento global, preocupam quem estuda os microorganismos existentes nos oceanos, de onde provém cerca de metade do oxigénio que consumimos”, refere Luís Pedro Coelho, licenciado em engenharia informática no Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa e doutorado pela Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, no estado norte-americano da Pensilvânia.

A preocupação e a incerteza aumentaram nos últimos anos porque muitas espécies foram extintas em sequência do aquecimento dos oceanos. “As estimativas mais pessimistas dizem que nos próximos 50 anos as águas vão aquecer até cinco graus centígrados. A confirmar-se, tudo mudaria na vida dos oceanos com impactos nefastos e consequências imprevisíveis para a sobrevivência de espécies e sustentabilidade ambiental. Será, por exemplo, que os corais conseguirão resistir no próximo meio século?”, questiona o investigador.

Luís Pedro Coelho trabalha há dois anos no EMBL, no grupo de Peer Bork que analisa a comunidade microbiana usando metagenômica (estudo de metagenomas – material genético recuperado diretamente a partir de amostras ambientais), diz que é preciso dar “mais importância” ao que se passa nos oceanos.

“Publica-se trinta vezes mais sobre a Lua do que sobre os oceanos mas o impacto dos oceanos nas nossas vidas quotidianas é muito maior. E nós maltratamos os nossos oceanos: há muito plástico, muita poluição e uma gritante pesca descontrolada”, lamenta.

 

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