Ataque de titãs – humanos na perspectiva dos animais que devoram

Imagine um cenário onde a humanidade está à beira da extinção devido à ameaça de gigantes que devoram seres humanos despreocupadamente, forçando os últimos de nós a viverem cativos atrás de muros maciços – esta é a história do mangá Shingeki no Kyojin (Ataque de Titãs em português), que faz grande sucesso em vários países,virou desenho animado e filme.  Só que os seres desta história não tem uma aparência aterrorizante como o Godzilla, nem são colossais robôs sem sentimentos – na verdade, eles se parecem com enormes seres humanos sorridentes.

A maneira como os titãs tratam os humanos pode ser relacionada à maneira com a qual os humanos tratam outras espécies de animais. Ao inverter os papéis, conseguimos ver as coisas da perspectiva dos animais que escravizamos e devoramos. Para as outras espécies, nós humanos somos os titãs que promovem o terror e a matança sem sentido.

As cenas em que humanos indefesos tentam em vão fugir dos titãs para em seguida serem devorados, em meio a muita violência, pavor e sangue, são aterrorizantes.

Os humanos da história não entendem realmente muito sobre o seus opressores. Seu comportamento é incompreensível aos humanos, o que os torna ainda mais assustadores. Diz-se que os Titãs não precisam devorar os humanos para sobreviver, mas ainda assim o fazem.

Existem diversas teorias sobre o que o mangá realmente representa. Mas as comparações entre humanos e outros animais são claras: os personagens dizem sentirem-se presos por trás dos muros como pássaros em uma gaiola, ou como gado. Mesmo que a narrativa possa ser interpretada de diferentes formas, Ataque de Titãs pode iniciar um diálogo sobre a exploração animal e sobre a forma como a opressão de animais humanos e não-humanos estão relacionadas.