Os seres humanos não são especiais: Carl Safina de ‘Beyond Words’mergulha profundamente nas mentes dos animais

Elefantes africanos podem estar extintos em 12 anos

A busca de Carl Safina desafia a convenção científica. Behavioristas clássicos sustentam que nós não podemos saber o que outra espécie está pensando, principalmente porque esses animais não podem responder para nós. “Há uma grande dose de verdade aqui,” Safina admite, mas seu livro Beyond Words, que é uma combinação de narrativas animais dramáticas (com base em décadas de trabalho de campo) e pesquisas cerebrais inovadoras apresenta argumentos convincentes para se considerar animais não-humanos como indivíduos, com identidades e comportamentos distintos (e que às vezes são bastante semelhantes ​​aos dos humanos).

Compreender os animais, ele escreve, “não é um empreendimento de boutique. A falha irá acelerar o fim deles e a falência do nosso mundo. ”

O livro apresenta famílias de elefantes na selva africana, lobos no parque Yellowstone, nos EUA, a sociedade de orcas que vivem em águas do Noroeste do Pacífico, e ainda fala sobre cães, falcões e corvos.

“Por que egos humanos parecem tão ameaçados pelo pensamento de que outros animais pensam e sentem?” Safina pergunta. Nossa necessidade de se sentir especial é a sua mais dura crítica sobre a  forma como nos relacionamos com o mundo que nos rodeia, e, sugere ele, é a base para algumas das nossas teorias mais distantes sobre a cognição animal.

Entre elas está a teoria que ele menos aprecia, a “teoria da mente”, a capacidade distintamente humana de intuir sobre pensamentos e emoções de outro ser com base em seu comportamento. Ler as intenções dos outros parece fundamental para a sobrevivência de todos os animais discutidos em Beyond Words, mas em última análise ficamos com “os seres humanos são melhores na leitura de seres humanos. Os golfinhos são melhores na leitura de golfinhos “, e assim por diante. É uma conclusão insatisfatória, e Safina sabe disso. “Nós não terminamos”, ele repete ao longo do livro, dando um aceno para a simultânea frustração e excitação que vem em estar na fronteira da pesquisa em comunicação animal.

Outras discussões científicas são mais resolvidas. Safina descreve convincentemente as ligações evolutivas em nossa química cerebral à de golfinhos e macacos. A diferença está apenas nos detalhes, diz ele, com nossos físicos exteriores e nossas ênfases em diferentes sentidos. Ele também desmascara o famoso teste do espelho, que cientistas têm usado historicamente para testar a auto-consciência dos animais, observando se eles podem reconhecer seus reflexos em um espelho. A explicação é simples: com poucos precedentes para encontrar espelhos em estado selvagem, a maioria dos animais simplesmente não entendem reflexão.

O livro argumenta convincentemente que não podemos aplicar medidas humanas de inteligência e cognição a outros seres. Sentado em um pequeno barco e observado orcas socializando, Safina e o pesquisador de baleias veterano Ken Balcomb trocam histórias de baleias resgatando barcos perdidos no mar, levando cães que estão se afogando de volta a seus tutores e até mesmo detectando morte humana antes de nós. Mais do que refletir sobre a natureza humana, essas histórias nos deixam “sacudidos em nossa certeza”, na nossa capacidade de quantificar o que observamos.

Com informações do Popular Science.

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