Porque os canadenses estão largando em massa o leite

vacasDe acordo com o  Huffington Post Canadá, é crescente a popularidade e demanda por alternativas alimentares a carnes e laticínios no país, mudança motivada por uma queda significativa no consumo de produtos de origem animal. O consumo de lácteos líquidos (ou seja, leite) diminuiu 25 por cento nos últimos 20 anos, com consumidores mudando para alternativas como leite de amêndoa, soja e leite de arroz.

O declínio é tão impressionante que o Dairy Farmers of Canada (Fazendeiros de Laticínios do Canadá) encomendou uma pesquisa para descobrir por que os consumidores estão abandonando em massa o leite. O levantamento abrangeu 6.800 famílias canadenses e tem algumas conclusões esclarecedoras.

Os maiores declínios no consumo foram verificados em casais de meia idade sem crianças, que relataram largar o leite quase completamente, e famílias com crianças com idade inferior a 12 anos, que compreendem surpreendentes 1/4 do declínio. A razão? 10 por cento dos que não bebem leite afirmaram que tinham adotado o veganismo – uma palavra quase inédita a apenas alguns anos atrás. Oito por cento disseram que já não queriam apoiar uma indústria cujas práticas consideravam cruéis.

Essa crueldade foi exposta em junho passado, quando a Mercy For Animals Canadá divulgou filmagens secretas de dentro da maior fazenda de laticínios do país. As imagens mostraram trabalhadores chutando, socando e batendo em vacas no rosto e corpo com correntes, tubos metálicos, ancinhos e bastões; vacas doentes e lesionadas, com feridas abertas, infecções e lesões dolorosas, deixadas sofrendo sem cuidados veterinários adequados; trabalhadores utilizando correntes e tratores para levantar no ar pelo pescoço vacas doentes e feridas; trabalhadores cutucando e apertando feridas purulentas, arrancando tufos de pelo das caudas sensíveis das vacas e perfurando os testículos dos touros.

A maior parte das vacas leiteiras do Canadá vivem em confinamento intensivo. Quase 75 por cento delas passam a vida acorrentadas a uma baia de concreto, e todas elas sofrem o trauma repetido de ter seus bezerros levados embora imediatamente após seu nascimento, para que seu leite possa ser vendido para consumo humano.

De acordo com um estudo de 1992, as vacas leiteiras produzem entre 7 a 14 vezes mais leite do que fariam naturalmente. As demandas energéticas de tal produção enorme de leite, juntamente com as demandas da gravidez constante são insustentáveis através de dieta, obrigando as vacas a usarem as reservas de gordura corporal para dar conta do gasto de energia. O problema é tão grande que os leilões de gado já desenvolveram uma categoria para estes animais extenuados, emaciados e fracos: C3 (clunkers, canners and cripples).

Os Dairy Farmers of Canada parecem convencidos de que, se simplesmente colocarem dinheiro suficiente em publicidade, podem empurrar estes horrores de volta para baixo do tapete. A Organização de política nacional, lobbying e promoção (é assim que os Fazendeiros de Laticínios do Canadá referem-se a si mesmos) gastam cerca de US $ 80 a 100 milhões dólares a cada ano em promoção e publicidade, incluindo TV, revistas, redes sociais e anúncios do YouTube, campanhas de mídia dentro de lojas e vídeos e banners em sites como o Allrecipes e Epicurious.com.
Cooptam mais de 1.500 blogs de comida, mantendo mais de 26 sites que promovem o consumo de produtos lácteos, e cultivando acordos de patrocínio que empurram o leite para as mãos de maratonistas. Lembra-se das crianças menores de 12 anos, cujas famílias não querem que bebam leite? O lobby do Dairy Farmers of Canadá também instalou máquinas de bebidas de leite em escolas, incentiva a participação no Dia Mundial do Leite, que instrui as crianças a beberem leite todos os dias, e influenciam seus professores através do fornecimento de materiais didáticos e dando oficinas livres para professores.

Eles recorreram até a vender o medo. Em um recente congresso nacional, uma nutricionista foi contratada para alertar os jovens sobre “desinformação na internet.” A nutricionista alertou os jovens ouvintes a pensarem duas vezes antes de “embarcar na última dieta da moda ou no estilo de vida vegano”, o qual, ela sugeriu, poderia levar a transtornos alimentares.

Não importa que não haja nenhuma verdade nas reivindicações. Na realidade, um estudo recentemente publicado no British Medical Journal acompanhou 61.000 mulheres e 45.000 homens durante 20 anos e descobriu que a ingestão alta de leite (ou seja, três ou mais copos de leite por dia – como o Dairy Farmers of Canada recomenda em seus 26 sites) estava ligada à maior mortalidade em alguns homens e mulheres. Para as mulheres, o consumo de leite também foi associado a um maior risco de sofrer fraturas.

Apesar da promoção do medo e das dezenas de milhões gastos para vender produtos lácteos, o público canadense agora pode ver a indústria de laticínios pelo que ela é. E nenhuma quantidade de publicidade fará com que deixem de enxergar.

Assista ao vídeo da ONG Mercy For Animals, feito com uma câmera secreta dentro da maior fazenda leiteira do Canadá (atenção: cenas fortes):

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