Ambientalistas constatam que capivaras capturadas em 2014 estão sofrendo

Em visita ao parque ecológico, na Pampulha, membros do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais confirmaram a morte de 26 dos 52 animais que haviam sido capturados pela Prefeitura de BH para o controle da febre maculosa

capivaras

Desde o início de 2014, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) começou a analisar a suspeita de que as capivaras que habitam a lagoa da Pampulha, que fica na região norte da capital mineira, estariam contaminadas com a febre maculosa – doença grave transmitida pelo carrapto-estrela. Nessa época, foram capturados 52 animais, e, segundo a administração municipal, 28 indivíduos estariam com presença da doença no sangue. A análise teria sido feita pela Zoonoses da cidade de São Paulo. O problema é que após sete meses mantidas em cativeiro, 26 capivaras morreram e as restantes estão em condições precárias.

Para entender como está a situação desses animais, o Movimento Mineiro pelos Direitos Animais (MMDA) fez uma visita técnica às capivaras, que estão sendo mantidas no parque ecológico da Pampulha. “Fomos numa equipe de seis médicos veterinários, especializados em animais silvestres, e infelizmente, constatamos que das 52 capivaras capturadas em 2014, restam apenas 26. Apesar do comprometimento dos profissionais da Fundação Zoo-Botânica, os animais estão bastante debilitados, muito magros e com a pelagem esturricada. Por causa, principalmente, da falta de água”, diz Adriana Araújo, membro do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais.

Segundo ela, o movimento vem realizando reuniões no Ministério Público com o Ibama e com a PBH, e o consenso, até agora, é de que a retirada das capivaras da lagoa em nada contribuiu para a eliminação da febre maculosa na região. “Ao contrário, abriu espaço para que outros animais fiquem infectados. Isso porque o carrapato-estrela se hospeda em outros mamíferos, em aves e até no ser humano”, explica Adriana.

A proposta do MMDA é que os animais se fortaleçam, ganhem peso, para, então serem feitas, com urgência, a vasectomização e a ligadura de trompas dos indivíduos. A partir disso, as capivaras seriam soltas no ambiente, servindo como “sentinelas” para a detecção da presença da febre maculosa na Pampulha. Os métodos contraceptivos também vão ajudar, claro, na redução do número de animais. Essa proposta possui o amparo de Tarcízio Antônio Rego de Paula, professor do departamento de Veterinária da Universidade Federal de Viçosa, que conseguiu implementar o manejo adequado das capivaras na cidade do sul de Minas, reduzindo consideravelmente o número de indivíduos soltos naquela região.

“Nosso foco é a prevenção e o combate à Rickettsia rickettsii, que é a bactéria transmissora da febre maculosa. Outras questões também precisam ser estudadas, como as capivaras que invadem o aeroporto ou destroem os jardins de Burle Marx, bem como a busca pelo título de Patrimônio Mundial para o conjunto da Pampulha. Nós, responsavelmente, entendemos essas questões e  apresentamos soluções. A base de tudo, na verdade, é a conscientização da população”, completa Adriana Araújo.

Após a visita ao parque ecológico e a constatação das más condições em que estão vivendo as capivaras, o Movimento Mineiro pelos Direitos Animais emitiu um laudo técnico que será encaminhado ao Ministério Público, ao Ibama e, principalmente, à Prefeitura de Belo Horizonte e ao juiz Itelmar Raydan, do Tribunal Regional Federal, que emitiu uma decisão contrária à soltura imediata das capivaras no início de março deste ano.

Fonte: uai.com.br

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