Porque carne cultivada em laboratório não é vegana, nem é uma panacéia

carne-laboratorioEm 05 agosto de 2013, o cientista holandês Mark Post apresentou o primeiro hamburger cultivado em laboratório do mundo em uma conferência de imprensa, onde compartilhou o lanche com dois críticos de alimentos. Embora os críticos tenham achado que faltou sabor, Post afirmou que o objetivo do exercício era mostrar que isso poderia ser feito; o sabor poderia ser melhorado depois.

Carne cultivada em laboratório pode parecer ao mesmo tempo uma assustadora comida Frankestein e uma solução para os direitos animais e preocupações ambientais relativas a comer carne. Enquanto algumas organizações de proteção animal aplaudem a ideia, carne cultivada em laboratório nunca poderia ser chamada de vegan, ainda seria ambientalmente um desperdício e não seria livre de crueldade.

Ainda Contém Produtos de Origem Animal

Apesar de que o número de animais afetados seria grandemente reduzido, carne cultivada em laboratório ainda exigiria o uso de animais. Quando cientistas criaram a primeira carne cultivada em laboratório, começaram com células musculares de um porco vivo. No entanto, culturas de células e culturas de tecidos normalmente não vivem e se reproduzem infinitamente. Para produzir carne de laboratório em massa em uma base contínua, os cientistas precisam de um fornecimento constante de suínos, vacas, galinhas e outros animais vivos, de onde possam tiras as células.

De acordo com o The Telegraph “o Prof. Post disse que a maneira mais eficiente de fazer avançar o processo ainda envolveria abate. Ele disse: ‘No fim, minha visão é que haja um rebanho limitado de animais doadores no mundo, que você mantenha armazenado e que se obtenha as células molde de lá”

Além disso, estas primeiras experiências envolveram o crescimento das células num caldo “de outros produtos de origem animal”, o que significa que animais foram usados e talvez mortos, a fim de criar o tal caldo. Este caldo é ou o alimento para a cultura do tecido, ou a matriz a partir da qual as células foram cultivadas, ou ambos. Embora os tipos de produtos de origem animal utilizados não tenham sido especificados, o produto não pode ser denominado vegan se a cultura de tecido foi cultivada em produtos de origem animal.

Mais tarde, The Telegraph descreveu que as células estaminais de porco foram cultivadas “usando um soro obtido de um feto de cavalo”, embora não esteja claro se este soro é o mesmo que o caldo de produtos animais utilizados nas experiências anteriores.

Experiências finais envolveram células do músculo do ombro de dois bezerros criados organicamente e cultivadas “em um caldo contendo nutrientes vitais e soro de um feto de vaca.”

Ainda é Desperdício

Os cientistas estão esperançosos de que a carne cultivada em laboratório irá reduzir as emissões de gases do efeito estufa, mas cultivar células animais em laboratório ainda seria um desperdício de recursos, mesmo que as células fossem cultivadas em um meio vegano. A agricultura tradicional animal é um desperdício, pois a alimentação de grãos dada aos animais para que depois possamos comê-los é um uso ineficiente de recursos. Leva 10 a 16 quilos de grãos para produzir um quilo de carne bovina em confinamento . Da mesma forma, usar alimentos de origem vegetal para a cultura de tecidos musculares seria um desperdício em comparação com a alimentação vegetal dada aos humanos diretamente.

Energia também seriam necessária para “exercitar” o tecido muscular, a fim de criar uma textura semelhante à da carne.

Cultivo de carne em laboratório pode ser mais eficiente do que a carne de confinamento porque apenas os tecidos desejados seriam alimentados e produzidos, mas não pode ser mais eficiente do que alimentar as pessoas diretamente com vegetais. No entanto, Pamela Martin, uma professora adjunta em ciências geofísicas da Universidade de Chicago, co-autora de um artigo sobre o aumento das emissões de gases de efeito estufa em uma dieta a base de carne vs. uma dieta a base de vegetais, questiona se a carne cultivada em laboratório seria mais eficiente do que a carne tradicional. Martin declarou : “Soa como um processamento intensivo de energia para mim.”

Conforme relatado no New York Times, Post respondeu a uma pergunta sobre se os vegetarianos gostariam da carne cultivada em laboratório da seguinte forma: “os vegetarianos devem permanecer vegetarianos. Isso é ainda melhor para o meio ambiente.”

Uso de Animais e sofrimento

Assumindo que linhagens celulares imortais de vacas, porcos e galinhas poderiam ser desenvolvidas e que novos animais não teriam que ser mortos para produzir certos tipos de carne, a utilização de animais para desenvolver novos tipos de carne ainda iria continuar . Mesmo hoje, com milhares de anos de agricultura animal tradicional atrás de nós, os cientistas ainda tentam produzir novas variedades de animais, que cresçam maiores e mais rapidamente, cuja carne tenha certos benefícios para a saúde, ou que têm certa resistência a doenças. No futuro, se a carne cultivada em laboratório torna-se um produto comercialmente viável, os cientistas vão continuar a produzir novas variedades de animais. Eles vão continuar a fazer experiências com células de diferentes tipos e espécies de animais, e os animais serão criados, mantidos, confinados, usados e mortos na busca incessante por um produto melhor.

Também, porque a pesquisa atual de carne cultivada em laboratório usa animais, não pode ser chamada de livre de crueldade, e adquirir o produto iria apoiar o sofrimento animal.

Embora a carne cultivada em laboratório, provavelmente, reduza o sofrimento animal, é importante ter em mente que não é vegana, não é livre de crueldade, ainda é um desperdício, e os animais vão sofrer para se obter carne cultivada em laboratório.

Fonte: About.com escrito por Doris Lin, especialista em direitos animais – com livre tradução do Veggi & Tal.

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