Comparando mortes na produção de vegetais e de animais

Este post é parte de uma série contínua do site Free From Harm, chamada Justificativas Mais Comuns para Comer Animais, onde buscam dar respostas e recursos para melhor atender a essas justificativas.

estudo-animais-alimentosNos últimos anos, uma série de argumentos acadêmicos e não acadêmicos ganharam impulso alegando que, se vegans levarem em consideração a quantidade de mortes de animais resultantes da colheita de culturas de plantas, iriam descobrir que a dieta vegetariana resulta em um número maior de mortes de animais do que dietas à base de animais criados em pasto. E eles concluem que se vegans procuram minimizar os danos, então uma alimentação vegetariana estrita não é o caminho a percorrer. Muitos contra-argumentos surgiram para refutar essa afirmação. Um dos mais aprofundados entre eles é o estudo abrangente e bem pesquisado da ‘AnimalVisuals’,  Número de animais mortos para produzir um milhão de calorias em oito categorias alimentares.  Clique na imagem ao lado para visualizar a tabela ampliada com os resultados deste estudo.

Agora vamos dizer apenas para fins de argumentação que a alegação fosse verdade, que mais mortes animais resultaram da produção de alimentos de origem vegetal do que  alimentos de origem animal. Será que este fato, por si só, faz um argumento sólido em favor de comer carne animal criado em pasto e suas secreções? Não em nosso ponto de vista, uma vez que intenção é um fator-chave que usamos para avaliar o peso moral de uma ação. O assassinato não intencional de ratos do campo e outros animais durante o processo de culturas alimentares essenciais de colheita é um cenário muito diferente daquele em que deliberadamente e artificialmente se reproduz bilhões de indivíduos sensíveis à existência com o propósito exclusivo de explorá-los e matá-los por suas carnes e secreções que não temos necessidade de consumir.

Pode-se argumentar que os agricultores de culturas matam intencionalmente o que consideram “praga”, animais que ameaçam as suas culturas, mas essa afirmação levanta um falso dilema, ignorando o fato de que as soluções não-letais e humanas para proteger cultivos existem e, com a sensibilização dos consumidores, a demanda por estes métodos alternativos vai conduzir a sua crescente utilização. E se matar certos animais no processo de produzir culturas alimentares necessárias é moralmente censurável, então a nossa responsabilidade por suas mortes certamente não pode ser corrigida trazendo ainda mais animais à existência com o único propósito de explorá-los e abatê-los em uma fração de sua vida útil natural!

Dito de outra forma, o professor Gary Francione aponta que a alegação comum de que comer animais criados em pasto resulta em menos mortes de animais do que na colheita de culturas é “uma versão do argumento de que, já que não podemos evitar a morte não intencional, podemos também nos envolver na matança intencional”. Pense sobre isso. Não podemos evitar a morte acidental ou não intencional na fabricação de qualquer coisa, inclusive o mais inócuo e benéfico dos produtos. Então não há problema em matar seres humanos intencionalmente? Certamente que não. “E sobre a questão dos agricultores matarem intencionalmente animais que ameaçam as suas culturas, Francione argumenta que” Se todos nós nos tornarmos vegans porque nos importamos moralmente com os não-humanos, isso necessariamente se traduzirá em métodos de produção agrícola que seriam mais conscientes de mortes não intencionais incidentais”.

Após uma análise cuidada, o relatório da AnimalVisuals fornece os números e a metodologia para demonstrar a conclusão de que, predominantemente, “O maior sofrimento e morte animal pode ser evitado seguindo uma dieta vegetariana.”

Fonte: Free From Harm – com livre tradução do Veggi & Tal

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