Entenda a relação entre a criação de animais para consumo, doenças e resistência à antibióticos

FAO alerta para risco de nova pandemia de gripe das aves

do site TSF.pt
Compreenda a relação entre criação de animais para consumo, epidemias e resistência à antibóticosA FAO alertou para o risco de uma nova pandemia de gripe das aves devido ao desinvestimento dos países na vigilância e controle associado à crise internacional. Em comunicado divulgado hoje (29/01), a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) sublinha que, sem um controle adequado, a doença pode disseminar-se a nível global, como aconteceu durante o pico de 2006, quando 63 países foram afetados.

Entre 2003 e 2011, recorda aquela agência das Nações Unidas, a doença matou ou forçou o abate de mais de 400 milhões de frangos e patos domésticos.

Entenda a relação entre a criação de animais para consumo, epidemias e resistência à antibióticos:

Doenças de origem animal atingem 2,5 milhões de pessoas por ano

07/2012 – Isaude.net

Mais de 2,5 milhões de pessoas contraem doenças originadas em animais por ano em todo o mundo. A descoberta é de pesquisadores do International Livestock Research Institute (ILRI) no Quênia.

Os resultados revelam que condições como a tuberculose, Aids, gripe aviária e outros dez tipos infectam aproximadamente 2,4 bilhões de pessoas por ano. A maioria ocorre em países de baixa e média renda.

Apesar da maior incidência nos países mais pobres, há alguns pontos nos Estados Unidos e na Europa onde houve aumento nas ocorrências e uma maior virulência por parte dos patógenos.

De acordo com os pesquisadores, a crescente demanda por produtos de origem animal tende a piorar o problema. “As zoonoses representam uma grande ameaça à saúde humana e animal. Combater essas doenças nos países mais afetados é crucial para proteger a saúde global. Se as medidas falharem, a demanda por produtos como a carne bovina pode estimular ainda mais a disseminação de uma série de doenças infecciosas de origem animal”, afirma a autora da pesquisa Delia Grace.

O estudo, feito em conjunto com o Instituto de Zoologia da Grã-Bretanha e a Escola de Saúde Pública de Hanói, no Vietnã, mapeou criações de animais e zoonoses que podem infectar humanos para determinar quais são os 20 locais onde a situação é mais crítica.

Os resultados mostraram que Etiópia, Nigéria e Tanzânia, bem como a Índia têm os mais altos encargos de zoonose, com a disseminação da doença e altos índices de morte.

Os pesquisadores descobriram ainda que os Estados Unidos e a Europa, especialmente a Grã-Bretanha, além do Brasil e partes do sudeste da Ásia podem estar se tornando locais de “zoonoses emergentes”, que estão infectando seres humanos pela primeira vez, são especialmente virulentas ou estão se tornando resistente a medicamentos.

As zoonoses podem ser transmitidas de animais selvagens ou domésticos para os humanos, mas a maioria dos casos tem origem nas criações de porcos, gado, ovelhas e outras espécies.

De acordo com o estudo, há 56 zoonoses responsáveis por 2,5 bilhões de casos e 2,7 milhões de mortes por ano. No entanto há um grupo de 13 doenças principais, que inclui gripe suína, gripe aviária, Aids e tuberculose que causam a maioria das infecções.

 

Bactéria desenvolveu resistência a antibióticos em animais

02/2012 – Estadão

bacteria desenvolveu resistencia a antibioticos em animaisOs cientistas descobriram que uma cepa de bactéria que sobrevive aos antibióticos e que se transmite do gado aos homens era, originalmente, humana mas desenvolveu sua resistência nos animais domésticos, segundo um estudo publicado pela revista “mBio”.

Paul Klein, da Universidade do Norte do Arizona, e Lance Price, do Instituto de Pesquisa de Genoma Translacional (TGen), junto com cientistas de 20 instituições de diferentes países, focaram sua atenção em uma cepa da bactéria conhecida como Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM).

A SARM é uma cepa da bactéria Staphylococcus aureus que se tornou resistente a vários antibióticos, primeiro à penicilina em 1947, e depois à meticilina. Foi descoberta originalmente no Reino Unido em 1961 e atualmente está muito propagada.

Esta cepa é causa conhecida de uma variedade de infecções que invadem a pele e podem tornar-se rapidamente uma ameaça para a vida, mas em 2003 se detectou a presença no gado de uma forma nova da SARM, chamada CC398.

O estudo se concentrou na variedade CC398, conhecida como SARM suína porque infecta mais frequentemente às pessoas que estão em contato direto com suínos ou outros animais domésticos de consumo humano.

As pessoas afetadas mostram vários tipos de infecções agudas, inclusive na pele e nos tecidos brandos, infecções respiratórias e sépsis. A cepa CC398 pode ser encontrada atualmente em suínos, perus, gado bovino e ovino, e foi detectada em 47% das amostras de carne destinadas ao consumo humano nos Estados Unidos.

“Nossos resultados indicam firmemente que a SARM CC398 se originou nos humanos como uma bactéria S. aureus suscetível à meticilina”, afirmaram os autores.

Porém, uma vez que se transferiu aos animais, a bactéria evoluiu tornando-se resistente à tetraciclina e à meticilina, provavelmente como resultado do uso rotineiro destes antibióticos, típico da moderna produção de carnes para consumo humano.

Em 2001 um estudo da União de Cientistas calculou que os produtores de gado nos EUA usavam 11 milhões de toneladas anuais de antibióticos para propósitos não terapêuticos, uma prática controvertida que agora está proibida na União Europeia (UE).

Price, que dirige o Centro de Microbiologia Alimentícia e Saúde Ambiental no TGen, ressaltou que estas conclusões “põem em evidência os riscos potenciais para a saúde pública que derivam do uso de antibióticos na produção de carnes”.

“Os estafilococos crescem nas condições de aglomeração e falta de saúde”, comuns nos recintos onde se mantêm ovinos, ovinos, suínos e aves na produção industrial de alimentos.

“Adicione antibióticos a esse ambiente e estará criando um problema de saúde pública”, acrescentou Price.

A análise de vários genomas mostrou que a variedade SARM CC398 provavelmente evoluiu de uma cepa, que era sensível aos antibióticos, e proveio dos humanos.

Uma vez em contato com o gado a cepa mudou rapidamente, adquiriu novos genes e se diferenciou em muitos tipos diferentes que são resistentes a alguns antibióticos.

“Traçar a história da evolução da SARM CC398 é como observar o nascimento de um ‘superanimal’. É ao mesmo tempo fascinante e desconcertante. A SARM CC398 foi descoberta há menos de uma década e parece propagar-se muito rapidamente”, concluiu Price.

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