Nenhum crime é atenuante de outro

Dr. phil. Sônia T. Felipe

crime-vaquejadaAgora os vaquejadistas estampam fotos de animais esfolados e pendurados num cabide de matança justificando a brutalidade da puxada do rabo dos bois nas arenas vaquejistas. Como se um crime suficientemente bárbaro, perpetrado contra centenas de milhões de bovinos todos os anos, pudesse ou devesse servir de cortina para encobrir outros crimes perpetrados contra os animais, sucessivamente, antes de chegar sua vez de serem esfolados e pendurados num cabide desses numa correia de açougue.

Não é porque uma fila de bovinos esfolados num açougue seja a imagem viva da chacina cometida contra pessoas bovinas ao redor do mundo, que a vaquejada se torna inocente e não deva ser considerada crime. Não é porque furar o olho de alguém é uma brutalidade que quebrar seu braço não seja crime.

O erro de um ato não atenua outro. Tudo isso é crime que atenta contra a vida dos animais e seu direito fundamental, igual ao nosso, de viver sua vida até o fim, e morrer naturalmente sem interferência humana. Se houver intervenção na vida de um animal, esta deve ser para ajudar o animal a se recuperar de algum dano.

É preciso aprender a ver todas essas práticas sob a perspectiva ética, significando, nada mais nada menos do que se colocar no lugar desses animais aí pendurados e também daqueles lá nas arenas, com seus rabos violentamente puxados.

Os que concordam com os vaquejadistas não iam gostar de ter um membro seu puxado pela força tracionada por um equino, como compensação por não estar (ainda, embora estariam logo em seguida) pendurados aí, em um gancho destes de matadouros. Nem uma coisa, nem outra. Até porque, todos os que têm seus rabos puxados numa farra vaquejadista acabam aí neste cabide de chacina. Uma dupla experiência de terror e de dor.

Então, ao contrário das postagens vaquejadistas que tentam minimizar a violência da vaquejada, comparando-a com a violência açougueira, a pessoa bovina usada na vaquejada sofre tal tortura sem ser poupada desta aqui, estampada na foto. Argumento bom é bom em seu cerne. Argumento para justificar a maldade é mau por essência e em vez de se sustentar entrega de cara a ausência de ética na mente do argumentador. Animastê!

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