Para Drauzio Varella, vegetarianismo é “ideologia pseudocientífica”

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Durante um evento agropecuário em Porangatu nesta quinta-feira (23), o médico oncologista Drauzio Varella palestrou em defesa do consumo de carne. Durante a palestra, o médico tentou desacreditar o vegetarianismo, chamando-o de “ideologia pseudocientífica”. De acordo com ele, na metade do século XX surgiu a noção de que o consumo de carne seria responsável por ataques cardíacos, derrames cerebrais e doenças cardiovasculares de forma geral. “Só que isso nunca ficou demonstrado. Então criou-se uma ideologia, de forma pseudocientífica, que convenceu parte da população”, disse.

Ele ainda atribui o aumento nos casos de obesidade à “demonização” da carne: “A obesidade era coisa rara no passado. Mas depois que foi adotado esse padrão nos enchemos de doces, carboidratos, alimentos processados. O resultado é 52% da população brasileira acima do peso, enquanto nos Estados Unidos, 75%”

Drauzio ressaltou que um estudo que demonstrasse potenciais riscos da carne seria tecnicamente impraticável, pois demandaria uma comparação entre grandes populações vegetarianas e que consomem carne, acompanhadas por ao menos 20 anos, ao custo de US$ 1 bilhão. “Quem é que vai pagar essa conta?”, questionou.

Ele também disse que “não existe evidência de que a carne vermelha seja prejudicial” e criticou o combate aos alimentos transgênicos, o que chamou de “misticismo”. As informações são do Mais Goiás – clique aqui para ler a matéria completa.

Declarações como esta ignoram os inúmeros estudos mundo afora que demonstram os diversos malefícios associados ao consumo de carne e outros produtos de origem animal. Inclusive o estudo que ele afirmou ser “tecnicamente impraticável” já existe – O Estudo da China, escrito pelo Dr. Colin T. Campbell e seu filho. O livro é um best-seller internacional e tem como base para seus resultados um projeto de pesquisa de duas décadas realizado em conjunto com a Universidade de Cornell, Universidade de Oxford e da Academia Chinesa de Medicina Preventiva, e descrito pelo The New York Times como “o Grand Prix da epidemiologia.”

O Estudo da China analisa a relação entre consumo de produtos de origem animal (carne, ovos e laticínios) e doenças crônicas, incluindo doenças cardíacas, diabetes, câncer de mama, câncer de próstata e câncer de cólon. Com base em uma meta-análise das taxas de dieta e doenças em milhares de pessoas em populações rurais de Taiwan e China, Dr. Campbell conclui que as pessoas que comem alimentos integrais, à base de vegetais e excluindo todos os alimentos de origem animal, podem evitar, reduzir, e em muitos casos, inverter o desenvolvimento de inúmeras doenças, incluindo a maioria das principais doenças Ocidentais fatais. Para saber mais, visite thechinastudy.com. Você também pode assistir ao documentário de saúde Forks Over Knives , inspirado pelo trabalho do Dr. Campbell.

Taxar o vegetarianismo como “ideologia pseudocientífica” ignora também, por exemplo, o Comitê de Médicos Pela Medicina Responsável dos EUA, composto por mais de 12.000 médicos e 150.000 membros  nos Estados Unidos e no mundo, que incentiva a adoção de uma alimentação 100% vegetariana e que possui um Centro Médico, O Barnard Medical Center, que trata inúmeras doenças através da nutrição vegetariana, entre elas: obesidade, doenças do coração, diabetes tipo 2, enxaquecas e artrite.

Tentativas de desacreditar o vegetarianismo no momento em que a operação Carne Fraca da PF gera grande repercussão e faz com que muitos consumidores repensem seus hábitos alimentares soa como um esforço desesperado da indústria da pecuária em frear um movimento que cresce exponencialmente no Brasil e mundo todo, com cada vez mais pessoas rejeitando produtos de origem animal e buscando alternativas éticas e saudáveis.