Empresas tentam desenvolver método caseiro de cultura de carne sem uso de animais

O método de cultivo seria semelhante à fermentação de cerveja caseira

A produção de carne em casa sem confinar ou matar animais talvez seja possível no futuro. Com algumas células e um barril, o processo seria semelhante a fermentar cerveja. É o que diz Isha Datar, CEO da New Harvest, uma organização sem fins lucrativos que visa criar desde hambúrgueres até seda por meio de culturas celulares. “É como projetar um novo universo”, disse ela no Hello Tomorrow, um evento que reuniu empresários de tecnologia em Paris no ano passado. As informações são da New Scientist.

A carne cultivada não é uma idéia nova. Em 2013, a primeira degustação de um hambúrguer cultivado em laboratório foi notícia no mundo todo, mas o peça custou 300.000 euros e levou um ano para ser criada. Cultivar grandes quantidades de carne a partir de células de uma forma sustentável ainda está longe. Como Datar diz, “há tantas descobertas necessárias”.

Segundo os pesquisadores, alguns tipos de carne podem ser mais fáceis de cultivar do que outros. Paul Mozdziak da Universidade Estadual da Carolina do Norte e seus colegas, que estão trabalhando na produção de carne de peru em cultura, descobriram que as células musculares aviárias poderiam ser cultivadas em um recipiente como um barril ou biorreator, o que permitiria a formação de amostras maiores. As células aviárias parecem ser capazes de se adaptar a diferentes ambientes com mais facilidade do que as células bovinas, diz Datar, então elas seriam mais propícias à cultura em casa.

Uma preocupação em relação ao cultivo de carne é a obtenção das células para o processo. Atualmente as células estaminais musculares são mais facilmente obtidas a partir de carne fresca de matadouros ou de animais vivos – preferencialmente jovens, uma vez que as suas células estaminais são mais abundantes.

Datar diz que mudará isso criando linhagens de células disponíveis para encomenda em catálogos de suprimentos de laboratório ou através da conexão entre pesquisadores para que compartilhem as culturas uns com os outros, assim como as pessoas compartilham fermento para pão. Para Datar, “seria como um software de código aberto. As células são o código. ”

Mozdziak acha que um protótipo de carne cultivada poderia estar disponível em três a cinco anos, mas demoraria mais para aparecer em prateleiras de supermercado ou para se juntar às fileiras de alimentos DIY. Mas uma vez que o processo for refinado, a carne como a conhecemos pode ser reinventada. “É absolutamente possível ajustar o gosto e a textura”, diz Mozdziak.

O artigo não deixa claro do que será composto o “caldo” onde os tecidos serão cultivados. Este caldo seria ou o alimento para a cultura do tecido, ou a matriz a partir da qual as células foram cultivadas, ou ambos – se conteriam produtos de origem animal e qual seria sua fonte.

Embora a carne cultivada provavelmente diminua o sofrimento e exploração animal, é importante ter em mente que não será um produto vegano, já que a pesquisa atual de cultivo de células explora animais.