O primeiro americano no espaço foi um chimpanzé capturado

por Paul Watson

O primeiro americano no espaço foi um chimpanzé capturadoO primeiro Terráqueo no espaço não foi um humano.

O cosmonauta soviético Yuri Gagarin foi o primeiro ser humano posto em órbita. Ele foi lançado no dia 12 de abril de 1961 a bordo da Vostok 1 e passou uma hora e 48 minutos no espaço.

No entanto, a distinção de ser o primeiro Terráqueo no espaço vai para Laika (“Ladradora”). Ela foi lançada no Sputnik 2, em 03 de novembro de 1957.

Ao contrário de Gagarin, Laika foi enviada em uma missão suicida. Ela morreu durante o voo, de estresse e superaquecimento. Numa conferência de imprensa em Moscou em 1998,o  cientista soviético Oleg Gazenko que trabalhou no projeto, disse: “Quanto mais o tempo passa, mais eu lamento por isso. Nós não aprendemos o suficiente com a missão para justificar a morte do cão . ”

Em 2 de julho de 1959, um cachorro chamado Otvazhnaya (Valente) foi enviado para o espaço com seus companheiros de viagem, um outro cão chamado Snezhinka (floco de neve) e um coelho chamado Marfusha (pequena Marta).

Então, no momento em que o primeiro americano, Alan Shepard, voou para o espaço, ele já havia sido precedido por alguns cães, ratos e um coelho.

Mas ele também não foi o primeiro Terráqueo enviado para o espaço pela NASA.

Esta distinção vai para Ham, e Ham era um escravo nascido na África, capturado em Camarões em 1956.

Ham o astro-chimpanzé foi capturado ainda bebê por caçadores que mataram seus pais. Ele foi então vendido a uma organização na Flórida, onde foi comprado pela Força Aérea dos Estados Unidos em 1959. Ele foi um dos 40 chimpanzés adquiridos para experimentação espacial. Seu nome, “Ham”, só lhe foi dado após seu vôo, porque a Força Aérea estava preocupada de que haveria publicidade adversa por um chimpanzé com um nome morrer durante o vôo. Ele foi designado simplesmente como “No. 65”, embora, por algum motivo estranho, sua equipe o chamou de “Chop Chop Chang.”

Ham entrou no espaço neste mesmo mês há 54 anos, em 31 de janeiro de 1961, em uma missão do Projeto Mercury, classificado MR-2, que foi lançado do Cabo Canaveral, Florida. Ham teve seus sinais vitais e tarefas monitorados usando computadores na Terra. O desempenho de Ham no espaço demonstrou que tarefas podem ser realizadas no espaço. A cápsula de Ham caiu no Oceano Atlântico e foi recuperada por um navio de resgate. Ele só teve o nariz machucado. Seu vôo teve 16 minutos e 39 segundos de duração.

Após o voo, Ham foi enviado para o Zoológico Nacional em Washington, DC, onde viveu por 17 anos. Ele morreu em 1983 e o plano era empalhar seu corpo para o museu Smithsonian. Esse plano foi abandonado por causa de uma reação pública negativa. Em vez disso, ele foi enterrado no  International Space Hall of Fame , no Novo México.

Em 5 de maio de 1961, Alan Shepard tornou-se o primeiro ser humano  americano a entrar no espaço. Seu vôo durou 15 minutos, e, portanto, não superou o recorde estabelecido por Ham.

Eu lembro de ter visto a foto de Ham na primeira página dos jornais em 1960. Eu tinha nove anos de idade. Acho que minha primeira reação foi de querer me tornar um astronauta. Eu certamente não tinha conhecimento, nem me ocorreu no momento o quão trágica a vida de Ham tinha sido. Mas o que me impressionou sobre o foto era o olhar de triunfo no rosto. Acho que ele percebeu o que tinha feito. O primeiro hominídeo a entrar no espaço. O primeiro macaco do planeta a deixar o planeta dominado pelos humanos cruéis que tinham abatido sua família e o tinham escravizado. Por 15 minutos gloriosos ele estava livre de ambos, da atração gravitacional do planeta e de seus humanos senhores de escravos.

Eu não posso deixar de imaginar agora o que ele pensou quando olhou para baixo, sobre algo que só Yuri Gagarin, alguns cães, alguns ratos e um coelho tinham visto anteriormente, se é que eles tinham visto alguma coisa. Eu gosto de pensar que Ham sabia o que ele estava vendo, e que era a mesma coisa que todos os seus colegas astronautas viram depois dele – que não há senão um planeta para todos nós, e sobre ele, somos todos interdependentes.

Fonte: The Dodo, com livre tradução do Veggi & Tal.

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