Novo estudo NÃO diz que o vegetarianismo é ruim para o ambiente

Desbancando a falsa informação de que a dieta vegetariana causa mais impactos ao meio ambiente do que o consumo de carne

Desbancando a falsa informação de que a dieta vegetariana causa mais impactos ao meio ambiente do que o consumo de carne

Segurem a onda, carní(stas)voros.

Várias manchetes na última terça-feira sugerem que um novo estudo determinou que o vegetarianismo pode ser mais prejudicial ao ambiente do que comer carne, voando na cara de pesquisa anterior. Mas os pesquisadores por trás deste novo estudo dizem que isso é uma descaracterização total do que eles realmente descobriram.

Em vez disso, em termos de impacto ambiental, verifica-se que nem todos os alimentos em um determinado grupo alimentar são produzidos iguais, Michelle Tom e Paul Fischbeck, da Universidade Carnegie Mellon, disseram ao The Huffington Post.

“Você não pode agrupar todos os legumes juntos e dizer que são bons”, disse Fischbeck. “Você não pode agrupar toda a carne junta e dizer que é ruim.” (do ponto de vista ambiental).

Alguns jornalistas destacaram a constatação de que caloria a caloria, produzir alface gera mais gases de efeito estufa (GEE) do que bacon. Mas estes são apenas dois alimentos. Realisticamente, um vegetariano não vai substituir cada caloria de carne de porco por uma caloria de alface. Citar este dado sozinho ignora que os pesquisadores descobriram que couve, brócolis, arroz, batata, espinafre e trigo (só para citar alguns) todos tiveram uma classificação abaixo da carne de porco em termos de GEE.

Da mesma forma, em termos de uso de água “azul” – o que significa água fresca que é retirada de águas subterrâneas e superficiais, em oposição a água que cai diretamente do céu como chuva – produzir cerejas, cogumelos e mangas precisa de mais água do que produtos da carne. Mas milho, amendoim, cenoura e trigo todos usam menos água do que toda a carne (que não seja “fruto do mar”).

Em outras palavras, os pesquisadores não descobriram que vegetarianismo é ruim para o meio ambiente. Eles descobriram que nem todos os produtos vegetais são mais ecológicos do que os produtos de carne.

O ponto inicial do estudo, que foi publicado na revista Environment Systems and Decisions no final de novembro, foi olhar para os impactos ambientais de acordo com as orientações dietéticas recomendadas pelo Departamento de Agricultura dos EUA. Em geral, o USDA recomenda maior ingestão de frutas, vegetais, laticínios e frutos do mar. Os pesquisadores então analisaram três possíveis planos alimentares:

-Uma dieta que reduziu a ingestão calórica, mas com uma mistura de tipos de alimentos que representam a dieta americana média.
– Uma dieta que não reduzir calorias, mas incluiu a proporção de tipos de alimentos recomendados pela USDA.
– Uma dieta de calorias reduzidas e que incluiu as proporções de tipos de alimentos recomendados pela USDA.

Os pesquisadores analisaram estas dietas potenciais para o uso industrial de energia (ou seja, recursos como a gasolina e eletricidade), pegada de água azul e as emissões de GEE por caloria. Eles descobriram que o cenário 2 foi o pior em termos de impacto ambiental – aumentando o uso de energia em 43 por cento, pegada de água azul em 16 por cento e de GEE em 11 por cento. O cenário 3 não foi tão ruim, mas ainda pior do que o cenário 1, aumentando o uso de energia em 38 por cento, pegada de água azul em 10 por cento e as emissões de GEE em 6 por cento.

Mas nenhuma dessas dietas hipotéticas era vegetariana. Na verdade, uma grande parte do aumento de gases de efeito estufa para os cenários 2 e 3 é por causa da recomendação do USDA para aumentar o consumo de frutos do mar, que tem um nível relativamente elevado de emissões de GEE. E apesar de algumas frutas e vegetais terem um impacto ambiental maior do que a carne, produtos vegetarianos como grãos e soja têm alguns dos níveis mais baixos de consumo de energia e emissões de GEE.

Via The Huffington Post

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