A importância da nossa evolução além de matar para comer

Criador de porcos nos EUA reconhece e explica por que comer animais é antiético

Criador de porcos nos EUA reconhece e justifica por que comer animais é antiéticoQuando eu penso sobre o debate em torno da ética do consumo de carne, muitas vezes eu me pergunto: por que é tão difícil para os comedores de carne de admitir que matar animais para comer sua carne é antiético? Na verdade, eu não consigo pensar em um só argumento ético em favor do abate de animais por sua carne.

A maneira mais simples de colocar isto é que o abate de animais para produção de carne é uma transgressão ética socialmente permitida. Permissão da sociedade não torna isso ético, apenas faz com que seja aceitável. A escravidão foi durante séculos socialmente admissível (apesar do fato de que havia sempre uma minoria de pé firmemente contra ela). Será que isso a torna menos antiética? Eu duvido que alguém hoje diria que sim.

Como um criador de porcos, eu vivo uma vida antiética envolta nas armadilhas da justificação e da aceitação social. Há mais, até, do que a aceitação simples. Há realmente uma celebração pela maneira como eu crio os porcos. Pelo fato de que dou aos porcos uma vida o mais próximo do natural possível em um sistema não-natural, eu sou honrado, eu sou justo, eu sou humano – enquanto o tempo todo por trás dos panos, eu sou um senhor de escravos e um assassino. Olhando de frente, você não pode ver. Criar e abater suínos humanitariamente parece perfeitamente normal. Para ver a verdade, você tem que olhar de soslaio, como um porco faz quando sabe que você está tramando algo. Quando você vê com o canto do olho, na periferia de sua visão embaçada, você vê que a carne é na verdade um assassinato.

Um dia, certamente não tão cedo, talvez séculos a partir de agora, vamos saber disso e aceitar isso tão bem tanto quanto sabemos e aceitamos o mal da escravidão. Mas até esse dia, eu sou e continuarei sendo um modelo de bem-estar animal. Porcos em minha fazenda são o ideal de porco. Eles fuçam, descansam,eles forrageiam, eles comem, eles dormem, eles chafurdam, eles se aquecem, eles correm, eles  brincam e eles morrem, inconscientemente, sem dor ou sofrimento. Eu realmente acredito que eu sofro a morte mais do que eles.

As garras da ética nos engancham e começamos a lutar quando olhamos de soslaio. Faça-o, por favor. Veja através da falsa legitimidade da alternativa bucólica à pecuária industrial, uma alternativa que não é senão outra ofuscante camada de proteção justificativa que esconde a feiúra da criação de animais para matá-los, para que possamos comer sua carne. Olhe e veja quem eu sou e o que eu faço. Olhe e veja quem e o que os animais são. Olhe e veja o que está no seu prato. Olhe e veja que a sociedade aceitavelmente diz sim. Ética, creio, universalmente, inequívocadamente e inegavelmente, diz não. Como você pode justificar a tomada de uma vida por prazer gustativo? É no olhar de soslaio, de forma consciente, que damos os primeiros passos em nossa evolução para nos tornar o tipo de seres que não constroem sistemas e infra-estruturas, cujo único propósito é matar seres cuja sensibilidade e capacidade de vida emocional e empatia nosso entendimento mal arranhou a superfície.

O que eu faço é errado, apesar da sua aceitação por quase 95 por cento da população americana. Eu tenho certeza disso – mesmo que eu ainda não possa agir sobre isto. Algum dia isto deve parar. De alguma forma, precisamos nos tornar o tipo de seres que podem ver o que estamos fazendo quando olhamos de frente, o tipo de seres que não tecem escuras e contundentes capas para sustentar, com aceitação e celebração, o grosseiramente antiético. Mais fundo, muito mais profundo, nós temos a obrigação de comer de maneira diferente.

Pode demorar gerações incalculáveis de viciados e lutando com a ética do abate para chegar lá. Mas nós realmente precisamos chegar lá – porque mais uma vez, o que estou fazendo, o que estamos fazendo, é errado, terrivelmente.

Fonte: Huffington Post

Com livre tradução Veggi & Tal

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