Mesmo proibida, farra do boi continua a acontecer

A farra do boi, que ocorre desde os meados do século 18, foi proibida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde 1997. Porém, mesmo com uma pena que vai de três meses a um ano de detenção, muitos farristas insistem na prática.

A farra é um ritual tradicional no litoral de Santa Catarina que acontece na véspera da Páscoa, época da Quaresma. A prática se assemelha às touradas de rua que acontecem na Espanha. Em resumo, consiste em soltar uma vaca ou boi, persegui-lo e agredi-lo até que morra ou chegue à exaustão. A barbárie contra os animais também coloca em risco a vida dos seres humanos, com muitos casos fatais relatados.

De acordo com o site do ONCA – Defesa Animal, a tortura começa alguns dias antes da festa, quando o boi é isolado e deixa de ser alimentado. Para garantir facilidade em controlar o animal, geralmente escolhem-se novilhos ou animais jovens, mansos ou ainda usa-se dopar os animais.

No dia da “farra”, o animal é solto pelas ruas, onde pessoas aguardam portando os mais variados instrumentos para ferir o boi, como pedaços de pau, pedras, chicotes, facas, cordas e lanças. Inicialmente, começam a provocar e cansar o animal, já faminto.  A medida que está cansado, o animal é laçado e começam as torturas, quando é apedrejado e retalhado vivo.

A tortura pode durar até três dias, mesmo porque os “farristas” tomam “cuidado” para que a farra dure mais, escondendo o boi torturado para recomeçar o evento no dia seguinte. Somente ao perceber que o boi está próximo de morrer, os “farristas” o matam e dividem a carne. A crueldade costuma acabar com um churrasco. Toda a atrocidade é cometida na presença de crianças e adolescentes.

Denúncias podem ser feitas através do telefone 190.

Além de combater a prática,  polícias Militar, Ambiental e Rodoviária e entidades de defesa aos direitos dos animais buscam trabalhar a consciência educacional junto à crianças e jovens nas regiões onde a farra é realizada.