Cientistas usam inteligência artificial para desenvolver alimentos vegetais

not-companyPara quem está começando no veganismo a transição pode parecer um desafio, especialmente se a pessoa não tem muita experiência com cozinha vegetariana ou se não está acostumada a experimentar novos sabores. Por isso, muitas pessoas adicionam produtos vegetarianos similares à carnes, queijos e outros de origem animal, principalmente para facilitar a transição. Mas a opinião sobre estes produtos varia.

Agora, uma equipe de cientistas chilenos está usando inteligência artificial para criar substitutos para produtos de origem animal mais inteligentes. De acordo com o site TreeHuger, os fundadores Matias Muchnick, Karim Pichara e a bioquímica Isidora Silva, da start up The Not Company, estão aproveitando desenvolvimentos recentes em algoritmos de aprendizagem profunda de máquina para criar alimentos inteiramente à base de vegetais, saudáveis para as pessoas e que não terão o enorme impacto ecológico dos produtos de origem animal.

Matias Muchnick, que é engenheiro de formação, explica a motivação da equipe por trás de seu modelo de inteligência artificial, chamado Giuseppe:

“Quando você começa nos bastidores da indústria de alimentos, não gosta do que vê. Há um monte de coisas que deveríamos ficar sabendo… mas estamos surpreendidos por toda uma indústria que está tornando realmente difícil para nós ver o que de fato estamos comendo “, diz Matias Muchnick. “Queremos que as pessoas comam melhor, mesmo que sem saber. Esse é o principal objetivo da Not Company”.

Veja como o programa de inteligência artificial Giuseppe funciona: ele utiliza as chamadas técnicas de aprendizado profundo de máquina para treinar-se, aprendendo sobre a composição molecular de diferentes alimentos, sabores e texturas, e como os seres humanos percebem estes, a fim de utilizar os dados para desenvolver novas receitas à base de plantas com o gosto de alimentos de origem animal. A empresa diz que Giuseppe pode “replicar o sabor, a textura e até mesmo o cheiro dos produtos de origem animal, copiando sua estrutura molecular.” A idéia é fazer com que alimentos vegetais, como leite e queijo, sejam mais nutritivos e tenham um sabor ainda melhor – sem o uso de soja, glúten, trangênicos ou hormônios.

E como é o gosto? De acordo com a correspondente da Al Jazeera, Lucia Newman, no vídeo abaixo, o Not Milk da empresa – feito de cogumelos e sementes – tem um gosto mais doce e mais cremoso do que o leite real, mas tem o mesmo perfil nutricional, com menos calorias e custo menor do que outros leites vegetais. O vídeo também apresenta maionese, laticínios, patês e creme de avelã  à base de vegetais.

Além de imitar sabores, a tecnologia por trás de Giuseppe também irá trabalhar com dados sobre a utilização de recursos para  determinar melhor o equilíbrio ideal entre a disponibilidade de recursos, uso de energia, uso da terra, sabor e nutrição. Até agora, a equipe está desenvolvendo uma linha de carnes, queijos, leites, condimentos livres de animais, mas o objetivo geral é usar inteligência artificial para afastar-nos da pecuária com deliciosos alimentos à base de plantas, que poderiam ser produzidos localmente. A empresa vai lançar alguns de seus produtos em supermercados chilenos no próximo mês . Para mais informações, visite o website da The Not Company.

Veja abaixo reportagem da tv Al Jazeera sobre a empresa (em inglês):

 

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