Japão vai continuar a caçar baleias

Entenda os interesses que perpetuam esta indústria.

03/2013 – Notícias ao Minuto

japao vai continuar a caçar baleiasO Japão vai continuar a caçar baleias, actividade “que faz parte da cultura” japonesa, indicou esta terça-feira o ministro da Agricultura e Pescas, Yoshimasa Hayashi, depois de vários incidentes que opuseram nos últimos dias pescadores nipónicos e defensores dos cetáceos.

“É uma cultura e uma longa tradição histórica. O Japão é uma ilha, toma boas proteínas do oceano, importantes para a alimentação. É muito importante para a segurança alimentar”, declarou Yoshimasa Hayashi, numa entrevista à agência noticiosa francesa AFP.

Questionado sobre se o Japão podia considerar o fim, a longo prazo, desta atividade, contestada por um grande número de países, Yoshimasa Hayashi respondeu: “Não creio”.

Para Hayashi, as críticas internacionais contra o Japão “são ataques culturais, preconceitos relativamente à cultura japonesa”.

Sobre a Comissão Baleeira Internacional (CBI), a posição japonesa “nunca se alterou”, por isso o ministro considerou que o Japão não vai parar a caça à baleia.

Os baleeiros japoneses e os navios da associação ecologista “Sea Sheperd” confrontaram-se mais uma vez, na segunda-feira, nas águas da Antártida.

O Japão mantém a caça à baleia, devido a uma exceção da CBI em relação à caça para fins de pesquisa, apesar da carne dos animais terminar à venda nos mercados.

O organismo internacional proíbe qualquer tipo de caça comercial.

Indústria baleeira japonesa opera com prejuízos, mas é altamente subsidiada

03/2013 – The Epoch Times

O grupo conservacionista e vigilante ‘Sea Shepherd’ interceptou baleeiros japoneses dias atrás, efetivamente interrompendo a caça da frota. O relatório anual dos confrontos nos mares da Antártida pode ser uma pedra no sapato da indústria, mas forças maiores estão lentamente matando a indústria, segundo o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW).

Um relatório do IFAW, intitulado “A economia dos baleeiros japoneses”, publicado no mês passado revela que baleeiros japoneses são altamente subsidiados, operam com prejuízo e enfrentam um mercado de carne de baleia em declínio.

“Sob a superfície, uma mudança está tomando forma na abordagem do Japão sobre a questão baleeira”, escreveu Patrick Ramage, diretor do programa baleeiro do IFAW que passou os últimos 20 anos dedicado ao assunto, num artigo do IFAW que introduzia o relatório.

“Até agora, a mudança é frágil, como porcelana e papel de arroz, mas o novo relatório do IFAW […] está ajudando a iluminar o caminho”, escreveu Ramage.

A frota baleeira do Japão é operada pelo Instituto de Pesquisa de Cetáceos (ICR) em nome da pesquisa científica. Ativistas acreditam que isso é um velado empreendimento comercial.

O IFAW cita uma análise de 2006 da Comissão Baleeira Internacional (CBI), que mostrou que a pesquisa do ICR não alcançou qualquer um de seus objetivos.

O governo japonês continua a bombear cerca de 782 milhões de ienes (aproximadamente 9,78 milhões de dólares) anualmente na caça, desviando inclusive o dinheiro da ajuda a tsunamis para o ICR, relatou o IFAW.

O consumo de carne de baleia está diminuindo no Japão – ele atingiu seu pico em 1960 e agora é de apenas 1% daquele patamar. A última tentativa de leiloar os estoques do ano passado não conseguiu descarregar três quartos da carne.

Por muito tempo, os japoneses veem a caça à baleia como parte de sua herança cultural, mas 54,7% dos japoneses entrevistados pelo IFAW são agora indiferentes ao tema. Cerca de um quarto dos entrevistados, 27%, disse que apoia a caça.

Relatório: ‘Por que o Japão apoia a caça à baleia’

Num artigo de 2005, publicado no ‘Journal of Wildlife Internacional and Policy’, intitulado “Por que o Japão apoia a caça à baleia”, Keiko Hirata da Universidade do Estado da Califórnia observou a ânsia do Japão em ser um personagem chave em iniciativas internacionais do meio ambiente.

Hirata perguntou, “Se o Japão é sério sobre a proteção ambiental e deseja desempenhar um papel como ‘colaborador verde’, porque ele não abraça as normas que proíbem a caça à baleia, assim se juntando a outros estados na proteção da vida selvagem e assumindo um papel maior na liderança mundial ambiental?”

Disputas internas entre departamentos governamentais foram parte da resposta de Hirata. Membros do parlamento japoneses não controlam as políticas de caça às baleias. É o Ministério da Agricultura, Florestas e Pescas (MAFP) e a Agência Pesqueira que gerenciam a indústria.

“O fim da caça às baleias pode significar um declínio no poder político dessas agências”, escreveu Hirata. “Devido a intensas rivalidades interministeriais no Japão, não é provável que esses atores burocráticos voluntariamente cedam uma de suas áreas de jurisdição. Em vez disso, esses funcionários podem querer eventualmente retomar a caça comercial para fortalecer ainda mais sua posição na política burocrática interna.”

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