Quem come laticínios animalizados, ovos, mel e carne de peixe é vegetariano? Não é. É onívoro com restrição às carnes vermelhas

Dr. phil. Sônia T. Felipe

1984George Orwell, cujo nome real era Eric Arthur Blair, escreveu um livro, em 1948, cujo título é 1984. Neste livro, além de descrever o que é a vida vigiada 24 horas todos os dias por uma câmera, ele fala da “novilíngua”, a língua que estaria em vigor na data do título.

Nessa novilíngua, as palavras estão confundidas, de modo a que nenhum humano seja capaz de formular qualquer raciocínio com “clareza e distinção”, conforme prezava Descartes, qualquer juízo crítico. Todos são obrigados a engolir o que foi cunhado pelo Grande Irmão como definição confusa e equivocada de todas as palavras antes usadas no sentido genuíno. Pela novilíngua, Guerra é Paz. Amor é Ódio. Miséria é Prosperidade. Privacidade é Publicidade.

Orwell havia escrito, em 1945, outro livro, sobre os políticos totalitários e manipuladores dos operários: A revolução dos bichos.

Em seu dicionário novilíngue do 1984 ele esqueceu de listar: Onívoro é Vegetariano. Sim. As pessoas que comem tudo de origem animal, menos as ditas carnes vermelhas, se dizem e se fazem passar por “vegetarianas”, quando não o são.

Então, só porque a pessoa come arroz, feijão, tomate e alface ela é vegetariana? Não é. Erradíssimo. É uma pessoa onívora, que apenas se abstém de algum tipo de carne, geralmente as chamadas “vermelhas”.

Vegetariano é o estrito, quem não come nada, mas nadinha mesmo de origem animal, mesmo que os derivados sejam tão “sutis” que não se consiga ver o resto do bicho ali na comida.

Vegano é quem, além de abolir de seu consumo tudo que é de origem animal, ainda luta pelos direitos animais na perspectiva abolicionista, não na bem-estarista, pois a bem-estarista não abole escravização nenhuma nem a matança dos animais, apenas enverniza as paredes dos galpões, baias, e pinta os postes dos grandes cercados nos quais eles continuam confinados à espera da sentença de morte. Animastê!

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