Maquiagem e cosméticos veganos

maquiagem-veganaNo passado, o teste de cosméticos em animais era considerado necessário. O senso comum ditava que era imprescindível confirmar se produtos para a pele causariam ou não alergias e outros males. E, assim, a cobaia animal se tornou um padrão da indústria. A prática só foi questionada após muitos protestos de organizações não governamentais, revoltadas com a crueldade dispensada aos bichos. Hoje, o procedimento perdeu o caráter obrigatório e, nos lugares onde persiste, é bastante controverso.

“No Brasil, não existe uma lei que proíba o uso de animais em pesquisa científica. Em termos de regulamentação, o que temos é a lei n.º 11.794, de 8 de outubro de 2008, conhecida como Lei Arouca. Para piorar, o Guia para Avaliação de Segurança de Produtos Cosméticos tampouco incentiva o abandono do uso de animais na avaliação da segurança de produtos, segundo eles ‘por falta de métodos alternativos validados’”, resume a ativista Patrícia El-moor, da ONG Libertação Animal Brasília. Segundo ela, nos Estados Unidos e na Europa, onde os grupos de pressão são mais efetivos, o mercado privilegia empresas respeitadoras da natureza. Inclusive, a União Europeia já aprovou o banimento parcial da venda de produtos testados em animais, medida que entrará em vigor no ano que vem. A exceção à regra serão produtos cujos testes são comprovadamente insubstituíveis.

A luta dos ativistas, porém, tem outros frontes. Um dos mais importantes é a abolição de ingredientes derivados de animais nas fórmulas dos cosméticos. O ambergris, por exemplo, é feito com intestino de baleia e é usado como fixador em perfumes. Já o conhecido carmim é um pigmento vermelho obtido a partir da compressão de um inseto chamado cochonilha. Segundo o site do Projeto Esperança Animal (PEA), 70 mil insetos precisam ser mortos para produzir cerca de 450g deste corante. Atualmente, existem substitutos sintéticos ou vegetais para obter a coloração, o problema a extração da cochonilha, às vezes, é mais barata.

Há polêmica também quanto ao uso de mel, lanolina e leite na formulação de cosméticos. São produtos derivados, extraídos, em tese, de forma indolor. Contudo, as entidades argumentam que o uso industrial desses ingredientes implica na manutenção de grandes criadouros, diminuindo a qualidade de vida dos bichinhos. “Em alguns países, os apicultores preferem exterminar as colmeias no inverno, pois é mais barato do que manter as abelhas vivas até o próximo período produtivo. Com o leite, o problema é o processo de extração, que é muito cruel e pode ser comparado à engorda de gado”, afirma o diretor-geral da PEA, Carlos Rosolen. “Se há alternativas que não firam os animais, nos as incentivamos”, enfatiza.

“Atualmente, no Brasil, existe uma pressão para que, no mínimo, seja criado um selo que informe se o produto foi ou não testado em animais. Quanto aos produtos veganos, normalmente a gente faz um esforço para verificar a composição dos cosméticos, e há listas e sites de pessoas veganas que dão dicas para facilitar a escolha”, explica Patrícia El-moor. Segundo Carlos, é do interesse das empresas colocar o selo em seus produtos e entrar para a lista de marcas sem testes. “Mesmo assim, fazemos uma pressão no Legislativo. O consumidor é leigo e tem direito de saber o que está comprando. Acho que ainda faltam anos para aprovar essa legislação, mas é uma tendência internacional”, afirma.

A advogada Janaína Almeida, 24 anos, adora maquiagem e é vegana desde 2008. Ao se informar sobre os testes em animais, descobriu que a maioria era feita justamente pela indústria dos cosméticos, e começou um verdadeiro boicote. Como os cosméticos geralmente não trazem no rótulo esse tipo de informação, Janaína pesquisa sempre. “Para saber as marcas que testam e as que não testam em animais, bem como a origem dos ingredientes, costumo verificar as listas presentes nos sites da Peta (People for the Ethical Teatment of Animals) do PEA, que sempre estão atualizados. Quando um produto específico não consta nesses sites, entro em contato com o SAC da empresa para mais esclarecimentos”, conta.

“A qualidade (do produto ecologicamente correto) é perfeita e a fixação, ótima. Além do mais, temos uma vasta lista de opções, pois são muitas as marcas que não testam e que se preocupam com a preservação da natureza e da vida”, enfatiza a advogada. Segundo ela, achar cosméticos veganos é bem fácil, já que grandes marcas aderiram ao cuidado.

Marcas brasileiras de cosméticos que não testam em animais

Abelha Rainha
Acquaflora
Adcos
Afro Nature, Keraseal, Nature Color, PHC, Semi di Lino, Top Fruit
Ag
Água de Cheiro
Pele Macia, Sliven
Sunshine
All Vida
Amend
Anaconda
Anantha
Antídoto
Arte dos Aromas
Atelier do Banho
Atol
Avora
Bel col
Bioderm
Bio Extratus
Bio Manthus
Buonavita
Beauty Color, Bio Shine, Bony Girls, Fructals, Power Colors
Cadiveu
Auxi, Bio Wash e Veraloe
Bigen, Care Liss, Charming, Essenza e Lightner
Clorofitum
Santantonio, Soavi Capelli
Contém 1g
Cosmética
Red Aple, Maxi Belle, Maxi Trat
Anasol, OneDay, Aliviosol, Kalasol, Zaz
Davene, Sun Block
Driss, Empório Bothânico
Dr. Tozzi
Ecologie
Éh
Embelleze: Afro Hair, Amaci Hair, Fleury, Frizzy Hair, Hair Life, Hannaya, Henê, Idealist, Indian Hair, Lisa Hair, Maxton, Natucor, Novex, Selise, Sempre Bella, Stillus, Super Relax, Toin, Urban Hair, Yes Color, Young Hair
Essence
Belladonna, Esthetic
Extrato da Amazônia
Extratophlora
Farmaervas, Celulan, Toltal Block, Tracta
Florestas
Gotas Verdes
Granado
Impala
Felicce
Jequiti
Koloss
Korai
Lavalma
L’aqua di Fiori
Leite de Rosas
Amyr Klink, Mahogany, Lyoplant, Kevin Nickols
Mairibel
Max Love
Multi Vegetal
Elke, Giovanna Baby, Phytoervas
Natura
Natustrato
Acqua Kids, Maxi Color, Maxi Liss, Origem, Plusline, Ravor, Sphere
Biocolor, Biorene, Risqué
O Boticário
Ox
Rahda
Racco
Reserva Folio
Sensória
Lightner, Traty, Essenza, Charming
Loryz, Maxsther, O2, Suavity
Surya Henna, Orgânica de Frutas, Amazônia Preciosa, Sapien
Terractiva
Francis
Valmari
Fio & Ton, Guanidina, Keraflex, Nippon, Omega Plus, Texture, Vita-a
Vita Derm
Belofio e Bio touch
Vult
Depil Mist, Fragê, Yamá, Yamafix, Yamasterol
Weleda

Fonte: PEA – Projeto Esperança Animal

Marcas Internacionais
Ahava
Amitée, CitréShine, ClearLogix, HerbalLogix, SilverBrights, ThickerFuller Hair, ZeroFrizz
Alba Botânica, Alba Hawaiian, Avalon, Sanoma, Tisserand, Un-Petroleun
Clarins of Paris
Clinique
H2O +
Herbalife
L’anza
Lush
M.A.C
Payot
Revlon: Aquamarine, Charlie, Colorsilk, Colorstay, Eterna 27, Flex, Fire & Ice, New Complexion
St. Ives
The Body Shop
Victoria Secrets

Fonte: PEA – Projeto Esperança Animal

Publicação: 13/05/2012  por Correio Brasiliense

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