Massacre de javalis no pampa gaúcho

28/09/2014massacre-javalisAs manadas de javalis desfiguram a paisagem do pampa. De fuçar e escarvar, transformam campos de  pasto em lamaçais. Cavam buracos à beira de árvores – a predileção é pela sombra da coronilha – onde se deitam para descansar e copular. Uma fêmea pode parir de 8 a 12 filhotes por ano.

Não há estudos recentes sobre a população de javalis no Estado. Raul, do ICMBio, informa que um levantamento feito no Uruguai indicou a presença de 0,5 a 1,5 animal por quilômetro quadrado. O técnico acha que a média do país vizinho pode ser aplicada, sem exageros, à região da fronteira gaúcha. O Uruguai foi o primeiro a introduzir o javali, da espécie Sus scrofa, há mais de um século.

Confinados numa estação de caça, no departamento de Colônia, escaparam e se multiplicaram – assim como ocorreu nos Estados Unidos, onde as autoridades perderam o controle.

Desde 1982, o javali é considerado uma praga nacional no Uruguai. A caça está liberada, sem limitação de calibre para armas de fogo. A médica veterinária Nibia Fontana, da divisão de Fauna do Ministério de Agricultura e Pesca uruguaio, admite que todas as formas para conter o animal fracassaram.

– Eles são muito rústicos e fortes. Estão fora de controle – ressalta Nibia.

O Rio Grande do Sul parece ir no mesmo caminho do Uruguai, inclusive copiando os piores exemplos. Fazendeiros uruguaios decidiram criar os animais, a fim de comercializar sua carne. Agora o javali tornou-se um flagelo fora de controle no pampa gaúcho, ameaçando a sobrevivência de aves nativas ao comer ninhadas de ovos da ema, da perdiz, do perdigão e do quero-quero, o que aborta o nascimento de filhotes. Exótico ao ambiente, também devora rebanhos de ovelhas, dizima lavouras e dissemina doenças (zoonoses) ao cruzar com porcos domésticos.

o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) liberou a caça ao animal com restrições. O Exército colabora habilitando atiradores com fuzis de grosso calibre – os “mais adequados ao abate”.

– É problema internacional. O javali não é controlável – alerta Paulo Carniel Wagner, do centro de triagem de animais silvestres do Ibama estadual.

Técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) juntaram-se à matança. Durante este ano, instalaram armadilhas de captura na Área de Proteção Ambiental (APA) do Ibirapuitã. Com 316 mil hectares, abrangendo partes de Santana do Livramento, Rosário do Sul, Quaraí e Alegrete, é uma das zonas mais ocupadas por javalis.

– Ele é um invasor exótico, sem predador por aqui, onde encontrou alimento farto e lugar para se esconder – diz Raul Paixão Coelho, chefe substituto do ICMBio em Livramento.

Grupos de direitos animais e ambientalistas já acompanham e tentam impedir este massacre desde meados de 2010. Em maio deste ano, em diversas cidades do Brasil, houve manifestação em frente às sedes do Ibama contra a matança de javalis, pedindo a suspensão imediata da caça ao animal em todo país; a criação, de órgão específico para monitoramento e fiscalização das atividades relacionadas aos javalis; participação de ativistas no referido órgão; esterilização em massa dos animais; criação de um santuário, para onde serão transferidos os animais doentes, feridos, ou órfãos; remanejamento de animais para o santuário ou reservas apropriadas, onde a superpopulação for um problema comprovado; proibição da entrada de javalis vindos de países vizinhos; e punição daqueles que agirem à margem da lei. O ato foi organizado por ativistas da Frente de Libertação Animal (FLA) e da Vanguarda Abolicionista.

De acordo com os organizadores da manifestação; “O javali europeu foi trazido para o Brasil por criadores, que abatiam e vendiam sua carne. Como o mercado para a carne de javali não rendeu o lucro esperado, os criadores simplesmente soltaram os javalis no mato.

Os criadores nunca foram fiscalizados ou penalizados pelo Ibama. Por se tratar de um espécie “exótica” (não nativa do Brasil), o javali não encontrou predadores e reproduziu em larga escala.

Hoje, mais de uma década depois, alguns javalis estão procurando alimento em plantações. Podem, em alguns casos, representar problemas para os agricultores, já que destroem parte da lavoura. O problema é maior no RS e em algumas áreas do MS. Algumas colônias de javali migraram para o Uruguai.

O Ibama não tomou nenhuma providência no sentido de coibir a soltura dos animais. Pressionado pelos agricultores, o Ibama publicou uma instrução normativa, permitindo a caça de javalis como forma de “controle” populacional. O Ibama não cumpriu seu papel, quando permitiu a introdução e soltura dos javalis, e agora, novamente, quer eximir-se de suas obrigações, permitindo um massacre aos animais.

Nunca houve uma regulamentação da produção de animais exóticos para o consumo, ou seja, os javalis eram criados e vendidos ilegalmente, sem nenhuma oposição pelo Ibama. O problema encontrou, então, a estupidez humana. Pessoas covardes estão aproveitando-se da anuência do Ibama para torturar, mutilar e matar animais.

Cães são criados para caçarem javalis. São colocados em rinhas com pequenos porcos ou bebês javali, para serem “treinados”. Os javalis vivem em grupos e tem forte senso de família. Quando um membro do grupo é atacado, os demais saem em sua defesa.

O “controle populacional”, na verdade é um show de horrores. Os javalis são atacados e dilacerados pelos cães. Os bebês são levados para as rinhas. Os cães terminam rasgados ou mortos.

As pessoas envolvidas na caça demonstram ódio aos animais, e profundo desvio comportamental. Publicam fotos e vídeos de tortura, onde regozijam-se pelo sofrimento dos bichos. Aproveitam-se da farra institucionalizada, e matam outros animais, cuja caça é proibida.

A instrução do Ibama diz que os caçadores devem ser registrados, no entanto, qualquer um anda armado e mata em nome do “controle populacional”. Como os próprios caçadores afirmam, 90% deles não tem autorização para a caça.”

Com informações do  Zero Hora e do Midia Max News.

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