Menino enfrenta escola para salvar sua amiga porca

menino-porcaQuando Bruno Barba viu Lola pela primeira vez, ele não imaginava como a porquinha iria afetá-lo: “Ela mudou tanto a minha vida e eu não consigo mais olhar para qualquer coisa da mesma maneira”, disse Bruno ao The Dodo.

Bruno conheceu Lola através do programa Futuros Fazendeiros da América (FFA), na Califórnia. O Programa FFA possui um lote rural ligado à escola, e os alunos são incentivados a comprar animais, que ficam então hospedados no campus FFA.

Os alunos são responsáveis ​​por todos os aspectos da criação animal; alimentação, limpeza e cuidados, como se estivessem diante de um grupo de juízes. Eles, então, levam os animais para uma feira de exposição local – antes de enviá-los para o abate.

Mas com Bruno e Lola, foi amor à primeira vista. A porquinha ansiosamente grunhia e corria para o menino quando ele ia visitá-la todos os dias. “Ela era como minha melhor amiga”, disse Bruno.

E conforme a amizade crescia, os sentimentos de Bruno rapidamente começaram a mudar. “Ela teve um enorme impacto sobre mim, fazendo-me perceber que eles são como nós”, disse Bruno sobre Lola. “Eles têm os mesmos sentimentos que qualquer outra pessoa e eles não merecem ser mortos.”

Quanto mais afeição Bruno desenvolvia por Lola, mais ela o amava de volta.

“Houve um momento em que eu estava me sentindo muito triste por todos os outros animais e comecei a chorar, e ela percebeu que eu estava chorando”, disse Bruno. “Ela estava dentro de uma pequena área. Eu estava sentado no chão. Ela veio em minha direção. Eu comecei a acariciá-la e ela simplesmente caiu no chão para que eu pudesse acariciá-la na barriga.”

Ele também ficava nervoso com o que percebia como sendo indiferença dos outros alunos. “Eu acho que é muito triste porque eles não se importam – eles realmente não se importam com isso”, Bruno explicou. “Eu estava lá, horrorizado com a experiência.”

Naquele momento, Bruno percebeu que precisava encontrar uma casa melhor para Lola. Na área da escola, ela era mantida em uma cela de concreto vazio, sem enriquecimento ou feno. Bruno sabia que ela merecia mais do que uma vida sombria e solitária, seguida de um abate precoce.

Felizmente, ele procurou ajuda do Farm Sanctuary, que ficou feliz em colaborar.

Alicia Pell, coordenadora na Farm Sanctuary, disse ao Dodo que não é incomum que o grupo receba ligações de alunos tristes, antecipando o que acontecerá em seus projetos escolares com animais. Mas muitas crianças não percebem que salvar o animal vai significar uma mudança nelas, também.

“Às vezes eles não fazem a conexão que precisam para não comprar mais suínos na FFA”, disse ela. “Eles pensam: ‘Ah, eu vou criar um outro animal na FFA no próximo ano e encontrar um santuário de novo’ … Isso apenas perpetua o ciclo.”

Mas com Bruno foi diferente, ela disse, e a Farm Sanctuary ajudou. Na semana passada, Bruno e sua mãe se juntaram à Lola e aos voluntários da Farm Sanctuary na  viajem de seis horas da porca até sua nova casa na Rescue´s Orland, localizado na Califórnia.

Bruno disse que a experiência toda operou uma mudança significativa nele, e que ele reavaliou suas crenças sobre os animais e o programa FFA como um todo.

“Isto mudou a minha percepção, mostrando que a FFA tende a … dessensibilizar os estudantes que vão para lá”, disse ele. “Os alunos do FFA estão sendo mudados pelo programa, que mostra a eles que ‘Isto são apenas coisas que você deve matar e comer, não coisas com as quais você deve criar laços'”.

E ele percebe que tem sorte em poder ajudar Lola a escapar. Embora estudantes em programas FFA paguem por seus animais e tecnicamente os possuam, ele diz que ouviu rumores de outros estudantes que suas escolas irão desencorajar os alunos a impedir o abate dos animais.

Eles criam vínculos“, disse Bruno sobre outros estudantes. Eles choram quando têm que abandoná-los, pois não têm nenhum outro lugar para levá-los.

Mais importante ainda, disse, ele percebeu que os animais são como nós, e Bruno e sua mãe decidiram se tornar vegans, como resultado. “Ela simplesmente gosta de qualquer tipo de animal ou pessoa“, disse ele sobre Lola.

Pell fez coro com Bruno, observando que o que torna a FFA e outros programas como este tão trágicos é que ensinam as crianças a se tornarem insensíveis. “Eles estão em processo de compreendê-los [os animais] da mesma maneira que  compreendem seus cães e gatos que são seres que pensam e sentem e, em seguida, estão enviando-os para abate“, explicou ela.

E o dano é ainda mais doloroso para os animais, que recebem seu fim no que Pell descreveu como “a traição final.”

Os animais vêm a conhecer seus cuidadores muito bem “, disse ela, acrescentando que eles formam ligações muito fortes com as crianças, que são muitas vezes a única fonte de amor e companheirismo que  irão conhecer.  ” Eles confiam nas crianças, porque são suas amigas … eles os acompanham de boa vontade para a feira, vão de boa vontade para o estádio onde serão leiloados.”

“Eles não sabem que seu melhor amigo os vê sendo enviados para abate”, acrescentou.

Mas, felizmente, o futuro de Lola é muito mais brilhante. Pell disse que ela está indo muito bem em sua nova casa, que tem áreas de grama e lama e – assim que estiver fora da quarentena – outros suínos para brincar.

Lola também encantou-se rapidamente com seus cuidadores, assim como ela fez com Bruno. “Ela ama os cuidadores, adora carinho na barriga – ela é incrivelmente doce e amigável”, disse Pell.

Mas, claro, Bruno não poderia deixar de ficar triste quando disse adeus à sua melhor amiga, mas manteve sua cabeça erguida, lembrando do futuro feliz que ela terá agora.

“Fiquei muito feliz que ela encontrou um novo lugar onde pode brincar bastante”, disse ele. “Claro que eu queria chorar. Mas eu não o fiz porque ela encontrou um novo lar onde pode ser feliz.”

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