Morremos pelo que comemos

Dr. phil. Sônia T. Felipe

A guerra das proteínas contra as heroicas enzimas

Morremos pelo que comemos (Dr. phil. Sônia T. Felipe)

Os números de mortos pela dieta padrão centrada nas carnes, ovos e leites (proteínas animalizadas) são de milhões e milhões ao redor do mundo, mortos por doenças consideradas “de família”: cardiopatia, diabetes, hipertensão, câncer, obesidade, insuficiência renal e vários tipos de infecção. O que é de família não é a doença, é a dieta padrão.
Segundo T. Colin Campbell, nos Estados Unidos morrem a cada dez anos 2,3 milhões de pacientes, não das doenças que sofriam, mas por tomarem os remédios para tratar dessas doenças. Os médicos são recomendados pela indústria dos remédios a não fazer tal relatório publicamente.
Segundo McDougall e T. Colin Campbell, o que de fato mais mata é a proteína animal, da qual não necessitamos. Basta, no máximo, 21 gramas de proteína vegetal por 1.000 calorias ingeridas. E a ingestão de proteínas animalizadas come solta, em tal quantidade, que os estadunidenses estão cada vez mais subnutridos. Não é piada. É sério. De tanto comerem só proteínas, agora eles gastam por ano algo em torno de 30 bilhões de dólares com vitaminas e suplementos. O que eles estão a comer não serve a não ser para deixá-los mais obesos e desnutridos do que os pobres que comem feijão com farinha de milho ou de mandioca, o conhecido “pirão de feijão”, uma combinação com todos os aminoácidos proteicos que dispensa carnes, leites e ovos.
A deficiência nutricional em pessoas altamente proteinizadas é de tal ordem que a população sofre de obesidade. O cérebro grita por nutrientes que não estão nas proteínas animalizadas e alimentos refinados e processados. Resultado disso? A pessoa come mais e mais do mesmo deficiente e engordante, na vã tentativa de acalmar a “fome”. Fome de vitaminas e de minerais que estão nos alimentos vegetais íntegros, não nos animalizados, processados e refinados.
Fosse apenas a obesidade o problema, bastaria malhar na academia. O dano dessa dieta é mais grave: rins, fígado, pâncreas, coração e cérebro sofrem a violência da ingestão de alimentos animalizados como fonte de proteínas, minerais e vitaminas. Alimentos animalizados não contêm fibras. Um intestino preso é base de várias doenças e mazelas. A cascata de coisa ruim não tem fim com essa dieta seguida ao redor do mundo.
Arredondando números de alguns tipos de morte, por ano, nos Estados Unidos, aqui temos, segundo Campbell (The China Study e Whole: Rethinking the Science of Nutrition): 700 mil mortes por cardiopatias; 570 mil mortes por doenças pulmonares crônicas; 553 mil mortes por câncer; 128 mil por derrame cerebral; 69 mil por diabetes; 65 mil por gripe e pneumonia; 49 mil por doenças renais graves. Direta e indiretamente, contribui para todas essas mortes a dieta carregada de gorduras e proteínas, açúcares e alimentos processados e refinados, centrada nas carnes, ovos e leites animais, especialmente o de vacas.
Campbell, no livro Whole: Rethinking the Science of Nutrition, à página 7, dá uma dica sobre a dieta saudável:
“A dieta humana ideal tem esta configuração: consumo de alimentos vegetais no formato o mais natural possível (comida ‘íntegra’). Coma uma variedade de vegetais, frutas, castanhas e sementes cruas, feijões e legumes e grãos integrais. Elimine alimentos processados e produtos animais.
Fique longe do sal, do óleo e do açúcar  adicionados aos alimentos no prato. Procure alcançar 80% das calorias com os carboidratos integrais, 10% com gorduras vegetais [integralizadas] e 10% com proteínas.” Dá para ver o status da proteína, mesmo a de origem vegetal, na dieta que traz saúde, não é mesmo?
O termo whole, do inglês, que significa integral, inteiro, completo, deve ser aplicado a todos os alimentos ingeridos. Então, para esses e outros médicos do Comitê dos Médicos por uma Medicina Responsável, nada de óleo prensado ou azeite, mesmo o extra virgem. Nada de açúcar retirado das matérias e servido em colheradas. Comendo frutas, cenoura, beterraba, batatas você já tem mais do que suficiente açúcar. Nada de sal colocado sobre saladas e outros alimentos, no prato. Se é para usar o sal à mesa, eles recomendam que nem se use no cozimento, então, só no prato e bem pouco, pois o contato da língua com o sal já dá saciedade dele. Desse modo, a quantidade ingerida de sal diminuirá muito.
Quando Campbell se refere à ingestão de óleos integrais, ele está pensando apenas no óleo presente naturalmente na matéria comestível do coco, do abacate, da castanha, da noz, da amêndoa, do amendoim, dos grãos dos quais se extrai óleo (soja, milho etc), das sementes de gergelim, de linhaça, de girassol etc. Esse óleo deve ser ingerido assim, colocando-se as oleaginosas ou as sementes de molho de véspera e comendo-as muito bem mastigadas nas refeições mais longas, ou, batendo-as com frutas no liquidificador. São fontes ricas em proteínas e outros minerais. Se fizer o leite com elas, coma também a massa que sobra, na forma de patês.
Mas, se o óleo for extraído de suas matérias originais, ele perde sua integridade e nós já não ingerimos mais o que a natureza nos deu em sua forma íntegra, integral, mas apenas uma parte desses componentes. Na polpa que ficou de fora, que foi descartada e não é vendida junto com o óleo comprado em vidros, estavam outras matérias importantes para a boa digestão e assimilação do que o óleo contém. Ao comprarmos óleos refinados, jogamos fora o que naturalmente nos ajudaria no aproveitamento da gordura natural dessas oleaginosas e sementes.
Ao ingerirmos óleos extraídos das polpas ou cernes e sedes naturais deles, forçamos nossos órgãos digestórios a ceder enzimas para que a digestão, a assimilação e a fixação de nutrientes possa ser levada a efeito com eficiência. Ao cedermos essas enzimas, nossos órgãos digestórios se esgotam e perdemos longevidade. Esse assunto está claramente exposto em livros de outros médicos: Doutora Ann Wigmore (The Blending Book: Maximizing Nature’s Nutrients); Doutor Edward Howell (The Enzime Nutrition: The Food Enzyme Concept).

Fonte: Olhar Animal

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