16 de outubro – dia de combate à fome

16 de outubro é oficialmente o dia mundial da alimentação. Saiba o que o consumo de carne e alimentos de origem animal tem a ver com a fome no mundo e degradação ambiental

outubro- mês de combate à fomeA Semana Mundial da Alimentação foi oficialmente aberta em Roma, na Itália, no dia 11 de outubro de 2010. Espera-se que os eventos da semana consigam mobilizar sociedade civil e governos na luta contra a fome no mundo.

Recentemente, A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) informou que há no mundo aproximadamente 870 milhões de pessoas que sofrem de subnutrição.Os dados foram divulgados em Roma no relatório Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2012, com dados relativos ao período entre 2010 e 2012.

Segundo o documento, a média de subnutridos representa 12,5% da população mundial. No entanto, os percentuais aumentam para 23,2% nos países em desenvolvimento e caem para 14,9% em países desenvolvidos.

A relação entre consumo de alimentos de origem animal, fome e degradação ambiental está nos recursos necessários para produzi-los. Os rebanhos consomem boa parte dos recursos da Terra. Para produzir 1 quilo de carne, gastam-se 43 000 litros de água. Em comparação, um quilo de tomates custa ao planeta menos de 200 litros de água.

Grande parte dos vegetais que produzimos viram alimento para animais – Um terço dos grãos do mundo viram alimento para gado. Boa parte da produção brasileira de soja (uma das maiores do mundo) é exportada para ser dada ao gado. Outra questão é que a pecuária bovina estimula a monocultura de grãos. Num mundo vegetariano haveria lavouras mais diversificadas e teríamos muito mais recursos para combater a fome.

A pecuária esgota o planeta de muitas formas – a pressão para a derrubada das florestas, inclusive a amazônica, vem em grande parte da necessidade de pasto. Entre os danos ambientais causados pelo gado, está também o aquecimento global; os gases da flatulência de bois e ovelhas estão entre os principais causadores do efeito estufa.

Os números – Há no mundo 1,35 bilhão de bois e vacas. Criamos 930 milhões de porcos, 1,7 bilhão de ovelhas e cabras, 1,4 bilhão de patos, gansos e perus, 170 milhões de búfalos. População de frangos e galinhas abastecendo a Terra de ovos e carne branca: 14,85 bilhões. Somando todos, e mais trilhões de animais marinhos mortos para o mesmo fim, o número de animais criados e abatidos para a alimentação supera em muito o número de humanos que habitam o planeta (cerca de 7 bilhões).

Só no Brasil há 172 milhões de cabeças de gado bovino – uma para cada cabeça humana. Nosso rebanho bovino só é menor que o da Índia, onde é proibido matar vacas.
Com estes dados, fica evidente porque a criação e produção de alimentos de origem animal impacta tanto na produção de alimentação humana e nos recursos do planeta.

Fontes: G1CITENSuper

leia também: Falta de água pode tornar o mundo vegetariano

 

Abaixo, reportagem da Folha Online publicada em 02/2010 , que elucida a problemática do consumo de alimentos de origem animal :

Consumo de carnes e peixes representa desperdício, diz relatório da ONU

Acostumados ao título de “topo absoluto da cadeia alimentar”, os seres humanos se dão ao luxo de comer de tudo, mas a um preço elevado: a pesca massiva está levando as espécies marinhas à extinção, e a piscicultura polui a água, o solo e a atmosfera. São importantes motivos para mudança de hábitos.

Alimentar a humanidade –nove bilhões de indivíduos até 2050, segundo as previsões da ONU– exigirá uma adaptação de nosso comportamento, sobretudo nos países mais ricos, que precisarão ajudar os países em desenvolvimento.

Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), publicado nesta terça-feira (23), a produção mundial de carne deverá dobrar para atender à demanda mundial, chegando a 463 milhões de toneladas por ano.
A situação se agrava com a ocidentalização de hábitos e o enriquecimento: um chinês que consumia 13,7 kg de carne em 1980, por exemplo, hoje come em média 59,5 kg por ano. Nos países desenvolvidos, o consumo chega a 80 kg per capita.
“O problema é como impedir que isso aconteça. Quando a renda aumenta, o consumo de produtos lácteos e bovinos segue o mesmo caminho: não há exemplo em contrário no mundo”, destacou o cientista Hervé Guyomard. Ele é diretor científico em Agricultura do Instituto Nacional de Pesquisa Agrônima da França (INRA), responsável pelo relatório Agrimonde sobre “os sistemas agrícolas e alimentares mundiais no horizonte de 2050”.

Desperdício com ração

Atualmente, a agricultura produz 4.600 quilocalorias por dia e por habitante, o suficiente para alimentar seis bilhões de indivíduos. Deste total, no entanto, 1.500 são dedicadas à alimentação dos animais –que só restituem em média 500 calorias na mesa–, 800 se perdem no campo (pragas, insetos, armazenamento), e 800 são desperdiçadas nos países desenvolvidos de outras formas.

O desperdício é grande, pois mais de um terço (37%) da produção mundial de cereais serve para alimentar o gado –56% nos países ricos– segundo o World Resources Institute. O gado custa caro ao ambiente: 18% das emissões de gases causadores do efeito estufa, segundo a FAO (mais que os transportes) ou 51%, segundo o World Watch Institute (mais que a geração de energia).

A pecuária também custa 8% do consumo de água e 37% do metano –gás que tem um potencial de aquecimento global 21 vezes mais forte que a do CO2 emitido pelas atividades humanas.

Não rentável

E, mesmo que seja uma possível fonte de proteínas, a carne bovina não é “rentável” do ponto de vista alimentar: “são necessárias três calorias vegetais para produzir uma caloria de carne de ave, sete para uma caloria de porco e nove para uma caloria bovina”, explicou Guyomard. Substituir o consumo de carne de animais terrestres pela carne de peixe não seria ainda uma alternativa adequada. “Os oceanos não podem ser considerados uma despensa inesgotável”, estimou Philippe Cury, diretor de pesquisas do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD).

O número de pescadores é duas a três vezes superior à capacidade de reconstituição das espécies.No atual ritmo, a totalidade das espécies comerciais terá desaparecido em 2050.

Ativistas como do grupo paulista Veddas defendem como solução o veganismo, abstenção de todo tipo de produto derivado de animais. Justificam que, além de haver o impacto ambiental gerado pela pecuária, “animais têm o direito à vida e à liberdade, livres da exploração humana”.

A Associação Dietética Americana, maior do mundo, aprova nutricionalmente este tipo de dieta.

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