PETA sacrificou a maioria dos animais em seu abrigo em 2014

abrigo-animaisUm artigo do jornal The Huffington Post, publicado no dia último dia 5 , declara que a Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) matou a maioria dos animais em seu abrigo em 2014, de acordo com dados preliminares apresentados pelo Departamento de Agricultura e Serviços ao Consumidor da Virginia (VDACS, sigla em inglês).

O grupo eutanasiou 2.454 de seus 3.369 cães e gatos, a grande maioria dos quais foram entregues pelos próprios donos , ou seja, foram abandonados ao grupo voluntariamente. Foram adotados apenas 23 cães e 16 gatos.

Estes números não são chocantes para os críticos de longa data da PETA – que por anos apontaram a discrepância entre a forma como este grupo proeminente dos direitos dos animais é percebido, e o que eles realmente fazem – e agora está convocando os ativistas contra a morte dos animais a atuar para fechar o abrigo.

Um destes críticos de longa data da PETA, Nathan Winograd, defensor de uma reforma nos abrigos para animais, recentemente publicou em sua página no Facebook :

“Quanto dinheiro a PETA recebeu no ano passado a partir de doadores desavisados, que ajudaram a pagar por esta carnificina em massa? 51,933,001 dólares: 50,449,023 dólares em contribuições, 627,336 dólares em vendas de mercadorias, e 856,642 dólares em juros e dividendos. Eles terminaram o ano com 4,551,786 dólares a mais no banco do que começaram, após as despesas. Eles não usaram um pouco disto para compreensivelmente promover a adoção de animais ou para fornecer cuidados veterinários para os animais que precisavam.

Em contrapartida, o Lynchburg Humane Society, também na Virgínia, recebeu aproximadamente o mesmo número de animais que a PETA, mas salvou 94%, e sem os milhões da PETA. O Seagoville Serviços Animais no Texas recebeu 1/3 deste número (cerca de 700 animais), mas apenas 1/20 de 1% da quantidade de dinheiro que a PETA recebeu, salvando 99% deles, em um reles orçamento $ 29,700. Na verdade, centenas de cidades e vilas em toda a América estão salvando mais de 90% dos animais e o fazem com uma fração da riqueza da PETA.”

O VDACS recolhe e publica informações sobre quantos animais são levados e o que acontece com eles, para cada abrigo público, privado, ou qualquer outro tipo de grupo de resgate animal no estado.
O estado da Virgínia como um todo apresenta taxas muito baixas de eutanásia em animais. A PETA justifica o alto número de sacrifícios dizendo que é necessário, porque seu abrigo aceita todos os animais que são levados.

Os dados iniciais da PETA para 2014 foram obtidos através da Lei de Liberdade de Informação, solicitados por Winograd, um dos líderes do movimento contra a matança, que visa reduzir (ou, melhor ainda, eliminar) o número de animais em abrigos que são mortos a cada ano.

Elaine Lidholm, porta-voz do VDACS, disse ao The Huffington Post que os números podem ser alterados antes do relatório final ser publicado online. Os números, no entanto, estão em linha com os dos anos anteriores – números que deram ao grupo de direitos animais uma quantidade significativa de críticas.

Quando contatado para comentar, um representante da PETA não demonstrou ter nenhum problema com estes números – na verdade, um comunicado de imprensa feito pela PETA elogiou o grupo por ter prestado “serviços de eutanásia grátis para 2.454 cães, gatos e outros animais em apenas uma área dos Estados Unidos “- mas dirigiu ao HuffPost um vídeo.

“Por favor,saibam que tudo que você precisa está no vídeo. O vídeo é a nossa declaração,” o representante acrescentou, em resposta a outro pedido de entrevista.

O vídeo reúne programas da PETA de baixo ou nenhum custo, que incluem castração e outros serviços veterinários, bem como a manutenção de casas para cães e suprimentos para animais. Em seguida, ele termina com uma defesa da eutanásia feita por Amanda Kyle, uma trabalhadora de campo do Projeto Animal da Comunidade da PETA.

“Parte meu coração, mas sei que a eutanásia é uma parte necessária para aliviar o sofrimento e lidar com os horrores criados por pessoas irresponsáveis e negligentes”, ela diz. “Em muitos casos, é o melhor que podemos fazer por um animal em particular.”

É uma declaração alinhada com um post no blog da presidente da PETA, Ingrid Newkirk ,chamado “Porque Fazemos Eutanásia“, no qual ela afirma:

“É fácil apontar o dedo para aqueles que são obrigados a fazer o “trabalho sujo” causado pela aquisição e criação de cães e gatos, que acabam sem-teto e indesejados em uma sociedade descartável, mas para a PETA, nunca vamos virar as costas a animais de rua negligenciados e não amados – mesmo que o melhor que possamos oferecer-lhes seja uma liberação indolor de um mundo que não tem coração ou casas com espaço suficiente para eles.”

Outro trecho da declaração:

“Enquanto animais forem propositadamente criados e as pessoas não esterilizarem ou castrarem seus companheiros, abrigos para animais livres de admissão e organizações como a PETA devem fazer o trabalho sujo da sociedade. A eutanásia não é uma solução para a superpopulação, mas sim uma necessidade trágica dada a atual crise. A PETA tem orgulho de ser um “abrigo de último recurso“, em que os animais que não têm nenhum lugar para ir ou que não são desejados ou que estão em sofrimento são recebidos com amor e braços abertos.”

Winograd não está convencido de que a eutanásia é a única, ou mesmo a melhor opção para muitos desses animais.

“Certamente a PETA pode fazer melhor do que uma taxa de adoção de 1 por cento, especialmente tendo em conta o seu alcance de mídia nacional e enormes recursos”, diz ele. “O que a PETA está fazendo para cães e gatos é errado não só em si, mas é auto-destrutivo para os objetivos maiores que a PETA alega ter para promover o veganismo e outras questões de direitos animais.”

Mas o senado da Virgínia aprovou este mês um projeto de lei que define um “abrigo de animais privado”, e que poderá impedir a PETA de matar cães e gatos em sua sede em Norfolk. Caso o projeto de lei passe na Câmara, o Código de Virginia será alterado para incluir linguagem definindo o que é um abrigo e o que ele pode fazer. Um “abrigo” não poderá mais matar sumariamente a grande maioria dos animais abrigados, porque o termo o designará como: “uma organização operada com o objetivo de encontrar lares adotivos permanentes e facilitar outros resultados de salvamento para os animais”

Os defensores da lei dizem que essa mudança é importante porque se o abrigo da PETA não funcionar de acordo com a nova definição, pode perder seu status de abrigo – perdendo também seu acesso a medicamentos de eutanásia.

Há ainda outras abordagens já em curso. O grupo de Winograd, O Centro de Defesa No Kill,  pediu ao Estado para emitir regulamentos que exijam dos abrigos a divulgação de mais informações sobre suas operações. Um período de consultas públicas sobre o tema está programado para se iniciar em em 23 de fevereiro.

Clique aqui para ver o vídeo que a PETA apresentou para o The Huffington Post (em inglês)

Veggi e Tal - Receitas veganas, Veganismo e Direitos Animais
© 2012 - 2016