Como produtos de origem animal e alterações climáticas contribuem para o surgimento de epidemias como o Zika

mosquitoCom uma epidemia que já atinge 23 países e previsões nada animadoras sobre sua expansão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou no final de janeiro a criação de um Comitê de Emergência para tratar do zika vírus. O ano de 2015 foi o mais quente já registrado, e cresce a preocupação de que o aquecimento global favoreça a proliferação do transmissor da doença, o mosquito Aedes aegypti. A tendência é de um aumento dos períodos do ano que propiciam condições favoráveis à sua reprodução não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

A OMS afirmou que a situação do vírus é muito preocupante porque há possibilidade de disseminação global da doença, uma vez que o mosquito Aedes aegypti está presente em diversas partes do planeta.

O zika vírus ganhou atenção mundial pois está sendo associado ao aumento no número de casos de microcefalia no Brasil. A microcefalia é uma condição que pode causar danos cerebrais, defeitos de desenvolvimento, e debilitação. Segundo a OMS, até quatro milhões de pessoas podem ser infectadas até o final do ano.

O vírus surgiu pela primeira vez em 1947 e desde então os casos ocorriam apenas ocasionalmente, na África e em algumas ilhas do Pacífico. Mas em maio do ano passado, o zika apareceu no Brasil e vem se espalhando rapidamente. Infelizmente, o zika não é a única doença infecciosa emergente (DIE) que veio à tona e desenvolveu-se rapidamente nos últimos anos. Ebola, SARS, gripe aviária, gripe suína e várias outras fazem manchetes, com cada uma delas espalhando-se pela população humana a velocidades sem precedentes. O aumento das DIEs nos últimos tempos é confirmada por um estudo científico que analisou a ocorrência de 335 dessas doenças nos últimos 60 anos e descobriu que a incidência de DIEs tem crescido dramaticamente ao longo deste período.

O que está causando este aumento da incidência de doenças virais perigosas? Há uma correlação entre a crise de saúde atual e nossa dieta mundial. Estudos estão relacionando a recente onda de vírus à nosso impacto global crescente sobre o meio ambiente, principalmente a intensificação da agricultura e das mudanças climáticas.

O enorme papel da agricultura animal nas mudanças climáticas

Já não é um segredo tão bem guardado que criar animais para produção de carne, laticínios e ovos é responsável por danos ambientais de grande alcance. De acordo com o Worldwatch Institute, a agricultura animal produz 51 por cento das emissões anuais em todo o mundo, com a pecuária gerando mais de 32 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano.

Esta poluição em larga escala da nossa atmosfera está causando mudança climática, e mudança climática e aquecimento global facilitam a propagação de doenças infecciosas. Zika é uma doença transmitida por um vetor, o que significa que é transmitida através de insetos, neste caso, o mosquito Aedes aegypti. Temperaturas elevando-se não só estão permitindo que mosquitos prosperem – já que eles se saem melhor em condições quentes e úmidas – mas também estão acelerando os períodos de maturação de suas larvas e encurtando o tempo de incubação dos vírus que os mosquitos carregam.

O mosquito tigre asiático também é conhecido por transmitir o vírus, e as mudanças climáticas tem aumentado dramaticamente o alcance deste inseto. Eventos climáticos extremos causados pelas alterações climáticas também estão ajudando a propagação da doença. A OMS afirma em um comunicado sobre Zika que “espera-se que condições associadas com o padrão climático El Niño deste ano aumentem as populações de mosquitos em muitas áreas.”

Desmatamento devido à pecuária cria terreno próspero para o mosquito

A necessidade de produzir alimentos em quantidades maciças para o gado do mundo tem causado desmatamento em grande escala, especialmente na floresta amazônica. A indústria pecuária é responsável por até 70 por cento do desmatamento da Amazônia. Como terra limpa acumula a água da chuva melhor do que as florestas tropicais, isso proporciona um terreno fértil adequado para mosquitos, permitindo que mais insetos infectados sobrevivam e espalhem doenças. O desmatamento tem sido associado a um aumento da incidência de malária e outras doenças transmitidas por vetores, como a zika, cuja cepa atual foi originada no Brasil.

Uma declaração da OMS sobre o vírus diz: “o nível de preocupação é alta, assim como é o nível de incerteza.” Ninguém sabe o quão longe o zika vai se espalhar e quanto dano que vai causar. O que é certo, porém, é o dano em grande escala atualmente causado aos animais, ao nosso planeta e à nossa saúde pela agricultura animal.

Claramente, a pecuária é uma indústria tremendamente destrutiva e suas práticas inescrupulosas colocam nossa saúde global em risco de muitas maneiras. Como o Dr. Akhtar escreve sobre a alta incidência de novos DIEs e da rápida propagação do zika “A menos que tomemos um duro olhar para as escolhas que fazemos na vida, como comer animais e reproduzir-se em uma taxa tão alta, os novos agentes patogênicos irão mostrar-se em ritmo cada vez maior”.

Com informações de Exame e One Green Planet.

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