Negação da morte e da relação entre humanos e outros animais

Negação da morte e da relação entre humanos e outros animaisO apoio aos direitos animais tem crescido nos últimos anos, mas ainda está fazendo pouco progresso em direção à mudança. Em seu trabalho recém-publicado,Denial of Death and the Relationship between Humans and Other Animals(Negação da Morte e da relação entre humanos e outros animais, em tradução livre), os estudiosos Lori Marino e Michael Mountain desenham ligações entre a percepção de falta de progresso na defesa animal, e um (sub) desejo humano consciente para permanecer separado dos animais e não enfrentar nossa própria mortalidade. Como parte desta exposição, o artigo usa a Teoria da Gestão de Terror de Ernest Becker, uma teoria psicológica social que “argumenta que qualquer lembrança de nossa existência corpórea e animal é ameaçadora, embora possamos não estar conscientes do por que isso acontece.” Os autores exploram essas idéias na esperança de que uma maior consciência desses processos inspirem os defensores e ativistas a afinar suas motivações.

Breve descrição:

Em um novo artigo a ser publicado na edição de março 2015 do Anthrozoos (Jornal da Sociedade Internacional para Antrozoologia) , Lori Marino e Michael Mountain lançam um olhar sóbrio na defesa animal, e tentam colocá-lo no contexto de profundas motivações humanas. Tomando o trabalho de Ernest Becker como seu ponto de partida, afirmam enfaticamente que “os esforços de defesa dos animais têm negligenciado muito a questão psicológica central […] que nós, os seres humanos, temos um desejo (embora em grande parte inconsciente) por separar-nos da natureza e dos outros animais.” Este desejo, dizem, está intimamente ligado a um medo da mortalidade e de negação da morte. Usando “Teoria da Gestão de Terror”, uma teoria social psicológica que afirma que muito do comportamento humano é motivado pela ansiedade, porém inconsciente, sobre a mortalidade pessoal”, eles descrevem ainda mais as maneiras que, como seres humanos, tentamos transcender nossa própria animalidade e nos colocarmos em um espaço filosófico excepcional.

Como essas teorias se encaixam com defesa animal requer uma maior exploração. “Do ponto de vista da gestão do terror”, dizem eles, “o corpo lembra-nos de nossas limitações animais, em especial da nossa certa mortalidade.” Nosso desejo de negar nossos corpos animais e limites mortais é um fenômeno cultural profundamente arraigado, que se manifesta através de todos os tipos de rituais:”acreditando em uma alma imortal ou com algum outro sentido do poder espiritual sobre a morte, através de obras de arte ou ciência, ou apenas por ter uma influência sobre as outras pessoas que vão viver depois que morrermos; crenças animistas, onde os seres humanos podem se juntar com os deuses e espíritos da natureza”, e muito mais.  Ainda assim, os autores observam que a profundidade e amplitude dessa negação filosófica da mortalidade nem sempre foi assim: “As evidências, tanto da ciência moderna quanto da literatura antiga sugerem que a necessidade de separar-nos da natureza (e, portanto, da nossa própria natureza) não foi sempre tão forte e destrutiva como é hoje. ”

Por que é importante para nós reconhecer estes aspectos da psicologia humana? Os autores estão profundamente preocupados com o estado do mundo e escrevem em termos inequívocos, que “o único futuro viável para a humanidade encontra-se em atingir algum nível de aceitação de nossa própria mortalidade e desenvolvimento de uma mais humilde, e, finalmente, mais satisfatória relação com o nosso companheiros animais e com o mundo natural. ”

Ao demonstrar e discutir essas bases psicológicas e sociais, eles mostram que os defensores não devem simplesmente trabalhar para a proteção dos animais e do meio ambiente, mas ao fazê-lo, devem de alguma forma também estar cientes desses problemas mais profundos, se quiserem ser eficazes .

Resumo Original:

O foco deste trabalho é explorar como a reivindicação do antropólogo cultural Ernest Becker de que o comportamento humano é em grande parte motivado pelo medo da morte pode explicar aspectos importantes da nossa relação com os animais não-humanos. A Teoria da Gestão de Terror sugere que, quando nós, humanos, somos lembrados de nossa mortalidade pessoal, temos a tendência de negar a nossa identidade biológica ou animal e nos distanciar dos outros animais, uma vez que eles nos lembram de nossa própria natureza mortal. Em apoio a isto, uma abundância de literatura experimental peer-reviewed mostra que lembranças de nossa própria mortalidade criam uma forte necessidade psicológica para proclamar que “eu não sou um animal.”

Defendemos que a negação da morte é um fator importante na condução de como e por que as nossas relações com os outros animais são fundamentalmente exploradoras e prejudiciais. Mesmo que hoje há mais organizações de defesa e proteção dos animais do que nunca, a situação para os animais não-humanos continua a deteriorar-se (por exemplo, mais pecuária industrial, a extinção em massa de espécies selvagens, e vida oceânica sob forte estresse).

Sugerimos também que o desenvolvimento de uma relação nova e mais adequada com o mundo natural seria um fator-chave para resolver a questão que Becker nunca foi capaz de responder: Como podemos lidar com a ansiedade existencial que é engendrada pela consciência da nossa própria mortalidade ?

Fonte: humanespot.org

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