“Ser vegano é moralmente superior”, diz Richard Dawkins em entrevista [VIDEO]

Richard Dawkins, biólogo evolucionista e escritor famoso por seu ateísmo e sua crítica ao criacionismo e ao design inteligente, foi questionado sobre veganismo durante uma entrevista realizada na Grécia, em abril de 2015.

Quando perguntado se um “estilo de vida” vegano é moralmente superior, ele respondeu:

“Tenho que confessar que não sou vegano e tenho que confessar que penso que sê-lo é moralmente superior.

Penso que vivemos em uma sociedade especista, todos nós. Consideramos os humanos como ultra especiais. Tanto que atos como o canibalismo, por exemplo, são um absoluto e completo “Não, não!” E ainda assim, se pensar a respeito, somos todos seres evoluídos, somos primos de todas as criaturas vivas.

Se houvesse alguma chance de que os intermediários entre humanos e outras espécies ainda vivessem – acontece que estão extintos, mas se não estivessem – as pessoas teriam que decidir:”este aqui conta como humano”, ou “podemos comer este?”, ou “este é muito humano para ser comido?” Acontece que não precisamos enfrentar isto, porque as espécies intermediárias estão extintas e, portanto, nos permitimos ser especistas. Nos encontramos com esta palavra, análoga a racista.

Quando você pensa em algo tão controverso quanto o debate sobre o aborto,  as pessoas se sentem muito, muito perturbadas sobre matar um diminuto embrião humano de poucas células só por ser humano, considerando que este pequeno embrião é muito menos capaz de sentir dor, sentir medo, sentir-se ferido, certamente, do que uma vaca ou um porco adultos. Enquanto vemos diferenças entre um embrião humano, ou um embrião de uma vaca ou de um porco, então a moralidade estará muito fortemente tocada pelo especismo.”

Ele defende, por fim, uma visão bem-estarista enquanto a exploração animal não for abolida: “Penso que minha própria postura moral provavelmente seja que, façamos o que for, devemos reduzir a dor e o medo. Assim, eu gostaria de ver regulações muito estritas em fazendas e matadouros. E se seguimos comendo animais, deveriam ser tratados bem até o momento de sua morte, a qual tarda a chegar, e não estão sendo tratados de forma gentil, nem nas granjas nem nos matadouros. Penso que realmente gostaria de ver no futuro um mundo onde todos sejamos vegetarianos, mas enquanto não o somos, o que deveríamos estar fazendo é assegurar é que os animais estejam sendo tratados amavelmente – mesmo que isso torne a comida mais custosa.”

Nota do Veggi & Tal: A realidade é que não é possível, em um sistema de exploração, que os animais sejam tratados de maneira “gentil”, muito menos que seja respeitada sua natureza ou seus interesses. Evidentemente, é pior torturar mais do que torturar menos, mas toda exploração é igualmente prejudicial e indefensável. O “bem-estar animal” somente traz um falso bem-estar à consciência de quem consome seus produtos, sendo promovido como um avanço pelos direitos animais enquanto objetiva perpetuar sua exploração.

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