Ativista diz que segunda invasão ao Royal teve ação de grupo black bloc

Jovem afirma que integrantes do movimento ALF resgataram roedores.Camundongos foram levados do laboratório no dia 13

Ativista diz que segunda invasão ao Royal teve ação de grupo black blocUma ativista que diz ter participado da segunda invasão no dia 13 ao Instituto Royal, em São Roque, afirma que o grupo que levou os camundongos do local teve a ajuda de integrantes do grupo Black Bloc – manifestantes que participam mascarados de manifestações e pregam o anarquismo e a desobediência civil, praticando atos de vandalismo.
A jovem, que não quis se identificar para a reportagem, conta que a retirada dos roedores foi organizada por membros do movimento Frente pela Libertação Animal (ALF).

Segundo o delegado Marcelo Pontes, um vigia do prédio relatou à polícia que cerca de 40 pessoas chegaram ao local por volta das 3h, usando máscaras e armadas com facas. O grupo levou roedores que ainda estavam no local, após a primeira invasão, no dia 18 de outubro, de ativistas que retiraram todos os 178 cães da raça beagle que eram usados nos testes, além de sete coelhos. Os roedores permaneceram no local.
Dezenove dias após a invasão, o laboratório divulgou o encerramento das atividades na cidade.
“Nós não utilizamos a tática black bloc, mas algumas vezes a gente pede sim ajuda para eles. Por exemplo no dia da invasão”, diz a ativista. “Mas a gente deixa bem claro que não é para usar a violência. O nosso intuito é salvar os animais. O grupo Black Bloc protegeu a gente e os próprios seguranças. Eles não agridem pessoas alheias, eles entram em confronto com a polícia, mas não entram em combate contra seguranças e pessoas comuns”, completa, salientando que nenhum integrante do grupo ficou com roedores. “Quem levou os animais foram pessoas ligadas à ideologia ALF.”

Um dos vigilantes do instituto afirma ter sido feito refém e ameaçado de morte durante a invasão ao laboratório. Ele conta que os três vigilantes, deitados o tempo todo de bruços, tiveram as mãos amarradas para trás com os cadarços dos sapatos. “Apanhamos muito. Chutes, socos, nos batiam com pedaços de pau, até as facas que estavam portando serviram para nos agredir. Pensei que ia morrer”.

A ativista nega as acusações de violência. “A ALF não é a favor da violência, muito pelo contrário, nos salvamos vidas. Os seguranças foram sim rendidos, mas em todo tempo nós dissemos que não cometeríamos nenhum ato contra eles. A gente só pediu para que eles ficassem numa boa, a gente só queria entrar lá para pegar os animais”, explica.

Algumas justificativas foram gravadas em um vídeo em que a jovem aparece mascarada, explicando as razões que levaram à invasão. “Eu não tenho interesse nenhum em mostrar meu rosto, não quero nenhum tipo de fama. Além de ter cuidado com a nossa imagem, a gente não quer ser preso”, diz ela.
No vídeo, a ativista afirma que integrantes da ALF “já estavam tentando judicialmente a guarda desses animais, porém nunca havia respostas”. “Então a gente resolveu fazer esse ato.”

Nas imagens, ela também explica os atos de vandalismo no local. “O prédio foi sim apedrejado, para que não haja mais tortura ali dentro”, confirma a ativista, classificando o ato como um “boicote econômico”, “para que nunca mais esses animais voltem para lá”.

Paradeiro dos animais

Em entrevista ao G1, a ativista relatou que os camundongos estão sob a guarda de pessoas ligadas à ALF, além de ativistas consideradas “pessoas de confiança”.
Uma delas é a empresária Mariana Aidar, que está com cinco roedores em sua casa em São Paulo. Ela afirma que não participou da invasão para resgatar os roedores, mas foi procurada por ativistas que a conheciam. “Precisavam de ajuda para cuidar de alguns e eu me ofereci. Já faz 7 anos que eu estou na proteção”, diz.

Ela conta que a caixa onde os camundongos estão é a mesma onde ficavam no Instituto Royal. Além desses animais, ela relata que tem ainda 8 gatos, 10 cães, 2 porquinhos-da-índia, 2 tartarugas e 3 jabutis. Segundo ela, com exceção de 2 cachorros, todos os animais foram resgatados de “situações adversas”. “Eu castro todos, vacino e coloco para adoção”, afirma.

Mariana relata que participou da primeira invasão ao instituto, na madrugada de 18 de outubro. “Tenho o maior orgulho de ter feito parte dessa história. Isso trouxe o assunto à tona”, diz. “Não importa se é beagle ou camundongo, são todos seres vivos e sentem dor como a gente”, defende.

Fonte: G1

 

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