Evento debate criação de santuário de baleias

3º Evento debate criação de santuário de baleiasA implantação de um espaço de preservação, pesquisa e observação destinado às baleias foi o tema do Workshop Internacional sobre o Santuário de Baleias do Atlântico Sul, encerrado no dia 21/03, em Praia do Forte, município de Mata de São João, na Bahia.

O evento, que teve início no dia 19/03, foi promovido pelos governos brasileiro e argentino para apresentar o projeto de criação do Santuário de Baleias no Atlântico Sul aos comissários da Comissão Internacional da Baleia (CIB).

A proposta, apresentada pela primeira vez, em 1998, contempla todo o ambiente marítimo entre a América do Sul e África, região que foi palco de massacres que quase extinguiram populações inteiras de grandes espécies de baleias e outros cetáceos.

O workshop contou com a participação de representantes de 12 países africanos e caribenhos, além de parceiros latinos do Grupo de Buenos Aires e de países aliados na campanha de conservação de baleias, como Austrália, Reino Unido e México.

Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que mediou o debate de encerramento do evento, o projeto é mais um dos compromissos que o governo brasileiro quer assumir para a preservação de grandes espécies marinhas.

“A implantação do santuário é uma forma de mesclar aspectos das áreas científica e econômica. Queremos dar um passo adiante nas negociações ambientais e essa é uma oportunidade para que a proteção da biodiversidade saia do papel”, afirmou.

A ministra acredita que a efetivação da proposta é também é uma estratégia política para estreitar laços com os países envolvidos.
“Precisamos compreender o projeto e mobilizar políticos, que serão nossos parceiros nessa empreitada ecológica”, disse.

Pesquisa

A implantação de um santuário é uma maneira, ainda, de coibir a prática da caça indiscriminada aos diferentes tipos de baleias. De acordo com a presidente do Instituto Baleia Jubarte, Márcia Engel, a principal causa da extinção dessas espécies é a caça comercial.

“Hoje, a caça é proibida em todo o mundo, mas temos sempre a ameaça desse decreto ser derrubado. Então, o santuário é a garantia de que, no Atlântico Sul, as baleias não sejam mortas ainda que a caça comercial volte a ser liberada”, explicou.

A presidente do instituto destacou, ainda, a importância do santuário como ferramenta científica, educativa e de incentivo ao turismo em cidades litorâneas.

“É uma alternativa de renda para as comunidades costeiras por conta do turismo de observação. Essa é uma forma de preservação, que contradiz o processo de extinção da espécies de cetáceos”, disse.

Expectativa

A proposta de criação do santuário será votada pela sétima vez em setembro, em reunião da Comissão Internacional da Baleia (CIB).

O projeto, embora tenha sido reprovado, ganhou 65% dos votos no último encontro, em 2012. Para que obtenha resultado positivo, são necessários ¾ ou 75% de votos favoráveis.

Este ano, Engel acredita em um resultado positivo: “Na conservação, o Brasil é um dos países que se destacam. Então, é possível que este ano tenhamos a aprovação”.

Preservação esbarra em males como caça comercial

De acordo com o comissário do Brasil na Comissão Internacional da Baleia e embaixador Marcos Vinícius Pinta Gama, além da caça comercial, há outros desafios a serem enfrentados para a preservação dos cetáceos em todo o mundo.

“A caça é um obstáculo importante a ser vencido, no entanto, há questões igualmente difíceis de controlar, como as mudanças climáticas e a ingestão de plásticos pelas baleias. Há uma série de ameaças à preservação que devem ser objetos de uma resposta”, explicou.

Conforme o comissário, o Brasil, embora tenha sido um dos últimos países a proibir a caça de baleias em grande escala, hoje lidera a lista de países conservacionistas que defendem ações de preservação dessas espécies no âmbito da proteção internacional.

“Com a criação de um santuário, o trabalho que já é realizado hoje será reforçado. Não trata-se de um espaço físico instalado em nenhum dos países envolvidos, mas uma plataforma de cooperação para que todos possam colaborar”, disse.

Incentivo

Para o comissário Marcos Gama, o projeto vai estimular a criação de outras instituições de preservação e proteção, não só de cetáceos, mas de outras espécies de animais da fauna brasileira.

“Institutos como o Baleia Jubarte e até o Projeto Tammar serão multiplicados. Além disso, nossa proposta é uma alavanca para o incremento da pesquisa científica não letal e para um maior conhecimento dos hábitos e ameaças às espécies vivas brasileiras”, disse.

Fonte: Portal A Tarde

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