E se fosse você?

Continuamos tratando a questão da escravidão animal de forma branda

Por Vera Regina Cristofani

vacaSuponhamos que você estivesse sendo vítima de alguma injustiça e não pudesse, por algum motivo, se defender e, do outro lado, por sorte, pessoas estivessem dispostas a lutar pelos seus direitos. Esses defensores estão focados em você, que é a vítima, e querem fazer com que as pessoas entendam os fatos. Então, evidentemente, deixarão claro que a sua situação é extremamente séria, preocupante e requer ações imediatas para tirá-lo da condição em que se encontra.

Se, por exemplo, você estivesse sendo vítima de racismo, esses defensores diriam que usar um critério irrelevante, como a cor da pele, para excluir outros de nossa esfera de consideração é moralmente injustificável e que deveríamos parar de participar de atos racistas através da conscientização do dano e violência causados a você.

No caso de ser uma mulher vítima de violência, esses defensores certamente demandariam que medidas urgentes fossem tomadas para que esses casos não se repetissem e para que fossem salvaguardados os direitos da vítima.

No entanto, quando o assunto está relacionado aos animais não humanos, nós ouvimos infindáveis declarações de defensores de animais que dizem que cada um tem o seu tempo, que parar de explorar e usar os animais como escravos, como produtos, como recursos é uma questão da jornada de cada um, o que denota o especismo extremamente enraizado até por aqueles que, de certa forma, já entendem a questão, mas que ainda não conseguiram enxergar que o valor moral que tanto humanos como não humanos tem, no que diz respeito à senciência, é igual.

Assim, nós continuamos tratando a questão da escravidão animal de forma branda, como se os animais não estivessem sendo vítimas de violência, dor e sofrimento extremos e mortes horrendas a cada segundo, só para que as pessoas não se ofendam, não se apressem e possam ter o tempo que precisar para perceber que esse assunto é de extrema urgência e que medidas deveriam ser tomadas imediatamente – e a primeira medida que pode ser tomada por qualquer um a qualquer momento é a adoção do veganismo — para ajudar a acabar com o dano estarrecedor que causamos a bilhões de animais sencientes quando os usamos para as mais diversas finalidades como, por exemplo, alimentação, vestuário, pesquisa e diversão.

Vera Regina Cristofani é jornalista, editora do site veganospelaabolicao.org e coordenadora do Grupo de Estudos da Teoria de Direitos Animais Abolicionista de Gary Francione (GEFRAN).

Fonte: Dom Total

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