A solução do problema? Parte II – final.

por Roberto Gonçalves Juliano

A solução do problema? Parte II - finalConvençam-me de que a soja texturizada é um alimento prejudicial à saúde e convençam-me, logo após, de que o seitan, ou preparado de glúten é um proteínico não adequado e que só me faz mal. Pois só assim!

Só assim aceitarei que devo restringir minha alimentação aos preparados de quinua ou amaranto, encarecendo-a sobremaneira, e que somente os fungos shiitake, paris, champignon, secchi, porcini isto ou aquilo ($$$) lhes fazem frente quanto aos aminoácidos essenciais e, também, que a indústria deve se ausentar completamente das minhas refeições.

Não é assim que eu penso.

A alimentação vegana é rica, deliciosa, variada, possui inúmeras vertentes e possibilidades em todos os grãos, como soja e trigo – também! – sementes, cereais, folhas, leguminosas. Verdadeiramente, afastamo-nos dos “alimentos” mortiços recheados de crueldade e temos um universo de sabores e texturas para nos nutrir, cada qual com suas escolhas de temperos e modos.

Quero, sim, produtos industrializados no meu prato. Quero mais: dizer aos industriais que somos muitos e que desejamos consumir produtos qualificados, livres da dor e do sofrimento dos animais que são sacrificados aos milhões. Somos um mercado consumidor que deseja encontrar cada vez mais produtos sadios e saborosos nas gôndolas dos supermercados, sem carne, sem leite, sem mel, sem ovos, sem absolutamente nada que implique essa aberração atualmente praticada contra seres sencientes inocentes.

Entretanto, e infelizmente, há uma orquestração contra algumas das nossas escolhas (muito inteligente, aliás, por um lado, e muito estranha, por outro) para que algumas texturas sejam banidas da minha mesa, texturas que agradam ao meu paladar e ao meu bolso.

Em alguns meios ditos veganos, levantam-se vozes contra todo e qualquer produto industrializado, contra a soja e contra o trigo, especialmente contra sua proteína, o glúten (alias presente em qualquer pedaço de pão que à boca se leve desde tempos imemoriais), vozes essas cheias de conteúdo cientificista, pregando uma alimentação natural feita em casa, sem glútem, sem proteínas texturizadas de soja, como se pudéssemos estar de volta ao aconchego das eras pré-industriais. Mas não podemos.

Temos obrigações que nos levam para longe das nossas casas e que impedem que nos dediquemos aos deleites do cozinhar. Pelo bem dos animais, dos quais fazemos parte, vamos separar nossos anseios por uma vida rural da realidade urbana.

Longe de mim tentar retirar os méritos que os alimentos in natura possuem, não quero atacar o inatacável: é óbvio que quanto menos processamento mais propriedades serão mantidas na matéria prima que pretendamos ingerir. Mas eu, por enquanto, só quero ser vegano.

Quero ter a satisfação de mostrar a todos os onívoros que os alimentos de que dispomos são extremamente variados e que o seu custo é menor que a alimentação onívora. Quero também dizer-lhes que as texturas da alimentação vegana não permitirão que haja qualquer nostalgia relacionada à ausência das carnes no cardápio que adotamos; quero garantir-lhes que nossa nutrição é adequada; que todas as vitaminas, sais e proteínas existem no mundo vegetal, que somos exigentes e sofisticados quanto aos sabores. Quero, enfim, continuar minha lida como combatente vegano e dizer, orgulhosamente, “-Sejam bem-vindos ao mundo gourmet vegano. Aproveitem!”. Quero seduzi-los e, não, afastá-los com preços e com restrições e mais restrições, ainda que bem intencionadas e defensáveis, em certo modo de visão.

No mais, qualquer dieta que pretenda estabelecer uma espécie de monocultura alimentar, sem variedades, sem o colorido mágico dos legumes, com a exagerada dedicação a qualquer ingrediente, claro fica, pode ser prejudicial à saúde.

Sim, eu sou vegano. E ser vegano é, sim, fácil.

 

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