Mar de lama – conheça o trabalho dos voluntários no galpão dos animais resgatados

Até segunda-feira (23) cerca de 30 pessoas, entre elas uma criança de 11 anos, ajudavam a cuidar de 148 cães, 123 aves, 11 equinos, oito patos, seis bovinos, quatro gansos e dois gatos

mariana-voluntariosO dia começa cedo e termina tarde no galpão destinado aos animais resgatados após o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana. Das 7h às 24h, cerca de 30 voluntários trabalham diariamente no local, distribuindo alimentos, medicamentos e carinho a quase 300 bichos, entre cachorros, gatos, aves, bovinos, suínos e cavalos.

Improvisado, o galpão sobrevive de doações que chegam do país inteiro, todos os dias. Os animais, que chegam com o olhar assustado, são vacinados, tratados e separados de acordo com o local em que foram encontrados – Bento Rodrigues, Paracatu, Barra Longa ou Gesteira. “O objetivo é colocar os animais em contato com seus tutores, para que eles possam ter de volta a vida que tinham antes”, disse a veterinária Carla Sassi.

Segundo ela, 45% dos bichinhos já foram identificados, mas apenas duas famílias puderam resgatá-los, visto que a maioria perdeu as casas e ainda não têm condições de buscá-los. “Vamos esperar até 5 de dezembro, e os animais que não forem identificados até lá serão encaminhados à adoção”, explicou Carla. Já os bichos que já foram identificados, mas ainda não podem voltar para casa, continuarão no galpão até quando for necessário.

Até a manhã desta segunda-feira, eram 148 cães, 123 aves, seis bovinos, 11 equinos, quatro gansos, oito patos e dois gatos – entre esses, vários filhotes. “Já nasceu um potrinho e um bezerro aqui”, contou a veterinária. Depois de cerca de 30 cirurgias realizadas, a maioria dos animais passa bem.

Voluntária de 11 anos

Uma das voluntárias, a pequena Amélia Belote, de 11 anos, conta que já virou a mãe adotiva de um dos bichos, um potrinho resgatado com lama por todo o corpo. “Vim porque todo mundo dá atenção para os animais pequenos e esquecem dos grandes, está sendo uma experiência espetacular”, contou. Ela está há mais de uma semana no galpão, recebendo aulas do pai, que é professor, por meio da internet.

A família de Wellington José da Silva, 35, foi ao local procurar Paloma, o pastor alemão de 5 anos que se perdeu quando a lama chegou à casa onde morava em Bento Rodrigues. “Minha mãe saiu correndo de carro. A cachorrinha mais nova conseguiu entrar no carro, mas a Paloma, que não estava acostumada, acabou ficando para trás”, contou. Ele não conseguiu encontrar a cadela, mas vai continuar procurando. “Quando eu puder, vou voltar a Bento para procurar”, prometeu.

Fonte: O Tempo

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