Transição à dieta vegana

por Luiza Savietto

transição à dieta veganaNada como a transição e a mudança para iniciar os trabalhos e conversas sobre o veganismo nesta coluna. Muitos indivíduos são vegetarianos por preceitos éticos, religiosos, energéticos, metafísicos, porém muitos deles ignoram a necessidade ou não sabem como mudar para uma dieta vegetariana estrita.  De fato, os derivados de leite e ovos são igualmente cruéis e na minha opinião piores, em se tratando de ética animal. Além disso, o mito da fonte de cálcio como premissa para o consumo compulsório de lácteos está caindo por terra, para o bem de todos.  Juntos, grãos, sementes, hortaliças e frutos são capazes de proporcionar ao indivíduo uma alimentação rica e plena, em vias de uma dieta vegana. Esta merece dedicação e requer disciplina, para que o consumo destes nutrientes específicos seja regular e o consumo de antioxidantes seja farto, pois é um dos segredos da longevidade vegana.

Aprender a nutrição do próprio corpo sem entraves éticos, de saúde ou espirituais se torna imperioso a um individuo que se atente ao seu ambiente interno e externo.  Assim, todo vegano deve ser um cientista, pesquisar, aprender a escolher e fazer seu alimento como parte da prática da vida.

Graças a diversos grupos e correntes de adeptos, seja na ciência ou no ativismo,  pela CONSCIÊNCIA, o material de conhecimento é de livre acesso na internet.

O mercado vegano cresce substancialmente oferecendo opções saudáveis e sem qualquer origem animal, desde leites e queijos até hambúrgueres, pães  e diversos pratos de muito bom paladar e riqueza nutricional.

Da mesma forma todos estes itens podem ser feitos em casa após breve procura em páginas de busca. O importante no veganismo é a variedade e oferta de nutrientes, principalmente aqueles que se deve tomar mais atenção, como as vitaminas D e B12 e os minerais cálcio, ferro e zinco. Não menos importantes são os óleos essenciais linoleico e linolênico (Ômegas 6 e 3). De antemão, na pratica diária as fontes de maior necessidade podem ser supridas por grupos alimentares específicos, como castanhas e leguminosas (grão de bico, lentilhas, feijão)  cereais (arroz, quinoa), sementes (girassol, gergelim, linhaça) hortaliças (couve, brócolis), vitamina C concomitante para aumentar a absorção destes e o cuidado na manipulação de alguns alimentos que contém antinutrientes.

Na maior parte dos casos, a demolhagem das leguminosas por uma noite e lavagem já retira o fitato, um dos antinutrientes encontrados nos alimentos vegetais. Existem outros casos como a acelga e a beterraba, bem como o cacau, cafeína de chás e café, que também podem prejudicar a absorção eficaz dos nutrientes ingeridos.

O Sol é a fonte de vitamina D vegana. Com seus raios UV sintetizamos a vitamina pela pele. Sua carência pode prejudicar diversos órgãos e sistemas, portanto é importante a verificação de seus níveis séricos em uma dieta vegana, já que sua fonte alimentar é exclusivamente animal.  No caso da vitamina B12, a solução até agora constatada pela medicina é a reposição que pode ser mais eficaz por via oral, em doses médias a grandes, mas cada caso tem sua necessidade.  Sua fonte é exclusivamente animal, e sua forma sintética é feita por microorganismos (bactérias). Verificar seu status no sangue é igualmente importante pois sua carência pode causar diversos sintomas, inclusive os neurológicos, que são irreversíveis.

Enfim, a alimentação vegana é um grande e belo aprendizado na cura de si mesmo, através da saúde e da alimentação.  Uma boa dica é o guia de dietas vegetarianas da Sociedade Brasileira de Vegetarianismo, elaborado pelo médico nutrologo Eric Slywicht.

Consultar um nutricionista ou médico pode ajudar no começo, para que se sanem maiores dúvidas na prática e se avalie o estado de nutrição vigente.

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