Os jornais estão ansiosos para nos dizer que uma vegana morreu no Monte Everest – não que ela era acadêmica, esposa e alpinista experiente

por Kathryn Snowdon ao Huffington Post, com livre tradução do Veggi & Tal

vegan-everestTrês pessoas morreram em dois dias no Monte Everest, neste fim de semana. Uma delas era vegana.

Essa vegana era australiana, acadêmica,alpinista experiente e esposa, mas o adjetivo que os jornais escolheram para descrevê-la é que ela era ‘vegana’.

Por quê? Porque Maria Strydom disse que queria “provar que os vegans podem fazer qualquer coisa e mais”, ao subir sete montanhas em sete continentes.

Que tolice a dela.

Notícias que se seguiram a morte trágica da mulher de 34 anos, no sábado incluíam “Vegana morre em missão no Everest para desafiar os céticos” e “Escaladora vegana morre no Everest durante missão para provar que vegans podem escalar os picos mais altos “.

O tom destes títulos, e os seus artigos subseqüentes, implicam que Strydom falhou em sua tentativa de escalar a montanha porque ela era vegan. Seus céticos estavam certos o tempo todo.

No entanto, pelo que sabemos até agora, a causa de sua morte não teve nada a ver com a sua opção de vida.

Strydom morreu de mal da montanha. O mal da montanha ocorre quando o corpo não consegue obter oxigênio suficiente do ar, que é “mais escasso” em grandes altitudes.

Ele ocorre com mais freqüência quando as pessoas não estão habituadas a subir altitudes elevadas de 2.400 metros ou mais. Em casos graves, pode afetar pulmões e cérebro. Os sintomas incluem dores de cabeça, náuseas, cansaço e hiperventilação.

Outro alpinista na mesma expedição de Strydom, Ary Eric Arnold, também morreu depois de sofrer de mal da montanha. Sua dieta e estilo de vida ainda não foram revelados.

Entre 1924 e agosto de 2015, 169 ocidentais e 113 sherpas morreram no Monte Everest. O que essas pessoas comiam não foi documentado.

Eu subi até o campo de base do Everest. Eu também sou vegana.

A dieta vegana não desempenha papel na forma como seu corpo reage a um aumento de altitude.

Enquanto o campo de base é drasticamente inferior ao cume do Everest – por cerca 3.500 metros – muitos escaladores desenvolvem o mal da montanha apenas por atingir a altitude do acampamento de 5.364 metros. Eu tive a sorte de não ser um desses alpinistas, mas havia outros no meu grupo que sofreram náuseas e dores de cabeça dolorosas que vêm com a condição, e a única cura é descer para uma altitude inferior o mais rápido possível.

Há muitos benefícios de saúde que eu estou disposta a atribuir a minha dieta vegana, mas escapar das dores do mal da montanha não é um deles. Da mesma forma, o sofrimento do mal da montanha não deve ser sustentado contra alguém que é vegan.

Usar o desejo de Strydom que queria provar a si para os céticos equivocados em um artigo sobre sua morte é desrespeitoso, impensado e de incrivel mau gosto.

Vegans são constantemente questionados sobre a sua dieta – estamos ingerindo bastante proteína, o que acontece com a nossa ingestão de cálcio, estamos ingerindo ferro suficiente?

Eu não pretendo falar por Strydom, mas se ela é qualquer coisa como eu então estas constantes perguntas sobre nossa dieta – normalmente direcionadas a você com a intenção de encontrar falhas em seu estilo de vida – crescem cansativas e desanimadoras.

Elas também são um tanto irrelevantes.

O campeão mundial de boxe David Haye é vegan, e eu adoraria que alguém o interrogasse sobre sua ingestão de proteínas. A melhor jogadora de tênis feminino no mundo, Serena Williams, é vegan, como é sua irmã, Venus. A maratonista Fiona Oakes e o triatleta do Ironman Brendan Brazier também abstém-se de carne e produtos lácteos. Há muitos mais, mas você captou a idéia.

Qual é exatamente a mensagem que estas publicações querem retratar? Que Strydom não deveria ter tentado o enorme desafio? Que ela não deveria ter feito isso sendo vegana? Ou que ela não deveria ter ousado afirmar que “vegans pode fazer qualquer coisa e mais”?

Seja qual for o motivo, usar a morte de Strydom como uma oportunidade de zombar suas afirmações acerca do veganismo é de mau gosto na melhor das hipóteses, na pior das hipóteses desagradável.

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