Vegetarianismo e Conservação Ambiental

Por Sérgio Greif

Vegetarianismo e Conservação AmbientalA pecuária representa uma das atividades humanas mais impactantes para o meio ambiente, consumindo grandes quantidades de água, grãos, combustíveis fósseis, pesticidas e drogas. Esta atividade é também a principal causa por trás da destruição das florestas tropicais e outras áreas naturais, além de grande responsável por outros impactos ambientais, como a extinção de espécies, erosão do solo, escassez e contaminação de águas, desertificação, poluição orgânica, efeito estufa etc.

Na pecuária intensiva, o gado é criado em sistema de confinamento, sendo mantido por toda a vida em recintos apertados, com alta densidade populacional, vivendo sobre as próprias fezes. Devido à insalubridade a que estes animais estão sujeitos, é grande o risco de infecções. Por este motivo, estes animais recebem juntamente com a ração antibióticos e outras drogas, além de hormônios de crescimento (o que no Brasil é proibido, embora praticado). Neste sistema de criação, o gado é alimentado no cocho com ração à base de grãos como soja e milho. Mais de 80% do milho e da soja produzidos nos EUA são destinados à fabricação de rações e praticamente todas as exportações brasileiras destes produtos, para os EUA e Europa, destinam-se a este fim.

Caso estes grãos fossem utilizados diretamente na alimentação de seres humanos, sua produção não necessitaria ser tão elevada e as áreas de terras cultivadas não necessitariam ser tão extensas, sobrando mais espaço para os ecossistemas naturais. Alimentar animais com grãos para depois comê-los é um uso ineficiente dos grãos, pois a conversão de proteínas vegetais em animais implica em custos. Os grãos são mais eficientemente utilizados quando consumidos diretamente por seres humanos.

Uma determinada área capaz de sustentar um único indivíduo consumindo carne poderia sustentar entre 12 e 30 indivíduos consumindo alimentos vegetarianos diversos (para mais detalhes, leia o texto “Vegetarianismo e Combate à Fome”). Sob outro ponto de vista, para sustentar cada ser humano vegetariano é necessário entre 12 e 30 vezes menos terra do que para sustentar um indivíduo que baseie sua alimentação em carnes.

Destruição de ecossistemas naturais

A necessidade do aumento na produção de carne reflete-se na abertura de novos campos de cultivo em locais onde antes havia áreas naturais. A Amazônia é um ótimo exemplo disto. A cada ano são destruídos vários alqueires destas florestas. No entanto, ao contrário do que se pensa, as madeireiras, as rodovias e a ocupação desordenada desempenham apenas um papel secundário nesta destruição. A principal causa foi e continua sendo a remoção das florestas para dar lugar à cultura de soja que será utilizada para alimentar o gado de países desenvolvidos, ou para formar pastos que alimentarão o gado brasileiro.

A maior parte do gado brasileiro é criada pelo sistema extensivo, onde os animais permanecem soltos no campo, ocupando vastas áreas. Neste sistema, considerado menos produtivo, cada cabeça de gado necessita de um hectare (10.000 m2) de terra para engordar. O Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo (mais de 200 milhões de cabeças), que necessita de uma área de pastagem de, no mínimo, 200 milhões de hectares para ser sustentado (o equivalente a um quarto do território nacional). Estas pastagens eram anteriormente áreas naturais (cerrados, Pantanal, florestas tropicais etc) que foram degradadas para a instalação de um sistema produtivo onde toda a terra é colocada nas mãos de poucos (formação de latifúndios), é empregada pouca mão-de-obra e a atividade necessita de constantes subsídios governamentais.

Calcula-se que a cada segundo, uma área de floresta tropical equivalente ao tamanho de um campo de futebol é destruída no mundo para produzir 257 hamburguers. É isto o que as pessoas fazem quando consomem hamburguers de “boi verde”, consomem a floresta tropical, o cerrado, as pradarias, os campos e outros ecossistemas. Isto tem reflexos tanto locais quanto globais.

Extinção de espécies

Quando florestas são destruídas para formar pastos, ocorre a perda de biodiversidade: a maior parte dos animais e plantas nativos desaparecem do local, sendo substituídos por forrageiras invasoras e gado. A remoção da cobertura vegetal original transforma completamente o ambiente, tornando-o impróprio para sustentar a maior parte das espécies que antes ali viviam. Ainda, as raras espécies que se adaptam às novas condições tendem a ser eliminadas pelos fazendeiros, uma vez que entram em competição com o gado ou passam a predá-lo por falta de suas presas naturais. Há também várias zoonoses, como a raiva, o antraz, a toxoplasmose e a febre maculosa, que são transmitidas do gado para os animais silvestres e vice-versa, o que freqüentemente resulta na eliminação dos animais silvestres.

Desertificação

A remoção da cobertura vegetal original para formar pastos não apenas compromete a biodiversidade, como também interrompe o equilíbrio e a ciclagem natural de nutrientes. Por baixo da exuberante floresta tropical há uma tênue camada de folhiço, de cerca de 30 cm de profundidade, que representa a reserva de nutrientes daquele solo. Este folhiço se origina da queda de material vegetal das árvores, e sua retirada ou a retirada da cobertura vegetal compromete este equilíbrio.

Quando uma floresta cede lugar ao pasto, expõe-se o solo arenoso, pobre e pouco produtivo que se encontrava abaixo. Um pasto verdejante pode a princípio ser formado nesta área, mas a menos que se utilizem contribuições externas, este pasto tende a enfraquecer quando submetido ao pastoreio sucessivo, dando lugar a pastagens de cada vez pior qualidade. De maneira geral, o produtor tende a abandonar estas áreas onde o pasto tornou-se tão pobre que não pode mais sustentar o gado. Assume-se que a floresta gradativamente retornará a estas áreas, mas algumas vezes o seu comprometimento é tal que ocorre exatamente o contrário – formam-se desertos.

Locais no planeta onde a atividade de pastoreio é mais antiga são testemunhas de que o homem de fato transforma florestas em desertos. O superpastoreamento destrói toda a possibilidade de rebrotamento e crescimento vegetal. Além disso, quando o gado pisoteia massivamente o solo, este é compactado. Isto torna a absorção da água dificultada, além de possibilitar o arraste de material superficial pelo vento e pela água, resultando em processos erosivos. Com efeito, a formação das estepes semi-áridas da China e possivelmente do deserto do Sahara são resultado de séculos de pastoreamento de bois, ovelhas e carneiros nestas áreas que antes apresentavam perfil vegetal totalmente diverso.

Ovelhas e cabras são capazes de transformar completamente uma paisagem em 3 a 7 anos. Em uma área cuja cobertura vegetal tenha sido removida e que tenha sofrido a ação do superpastoreamento, a temperatura tende a ser cerca de 4º C maior. Quando este aumento na temperatura deixa de ser caso isolado e torna-se generalizado, verificamos a ocorrência de aquecimento global, colapso de sistemas agrícolas, desastres naturais, morte de recifes de corais, propagação e surgimento de novas pragas agrícolas e salinização de corpos de água doce, entre outras conseqüências de alterações climáticas.
De que forma o vegetarianismo auxilia na proteção das florestas e áreas naturais?

Uma alimentação exclusivamente vegetariana é compatível com a manutenção de florestas e outras áreas naturais, por otimizar o processo produtivo e não demandar grandes quantidades de recursos.

Supondo uma população mundial vegetariana, seria suficiente o cultivo de terras com reconhecida aptidão para a agricultura.

Desta forma, não haveria demanda pela irrigação ou pela exploração de novas terras, ficando estas reservadas para os ecossistemas naturais.

Fonte: Gato Verde

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