Velório de proteína suína

Dr. phil. Sônia T. Felipe

leitaoEste bebê da imagem será assado em seis dias. Muitas pessoas iniciarão o ano de 2015 enchendo o seu processador funerário (estômago) de nacos da carne desse bebê. Para quê? Para nada. Nada para quem o come. Danos e perdas totais para quem será comido.

Morto já está. Tudo se acabou. Um golpe. Um punhal. Pendurado em um gancho até vazar todo o sangue para o piso na câmara de sangria.

E esse bebê, como todos os outros bebês mortos para satisfação humana (frangos, porcos, vitelos, bois, ovelhas, cabras, emas, cães, gatos, macacos, cavalos etc.), chegou ao mundo com vitalidade, curioso, inteligente, sensível, querendo viver. Tudo isso foi anulado no golpe encomendado pelo consumidor que comerá sua carne no dia 31 de dezembro de 2014, e entrará o novo ano com a mesma velha tra(d)ição de comer carnes animais para se locupletar.

Quem ainda crê que precisamos comer proteínas animalizadas para formar nosso corpo, precisa saber mais do que pensa e crê. Os tecidos de todos os organismos vivos, das plantas aos animais de todas as espécies, são renovados com 20 aminoácidos que se ligam formando uma cadeia molecular. Desses 20 aminoácidos, apenas oito precisam ser ingeridos pelos seres humanos. Mas não precisam ser ingeridos já ligados em cadeia, já formando tecidos prontos, feito o das carnes animalizadas. Podemos ingerir separadamente esses oito aminoácidos a partir de diferentes alimentos vegetais: grãos, leguminosas, cereais, oleaginosas etc. E nem precisa comer isso tudo junto na mesma refeição. Nosso corpo armazena aminoácidos essenciais e faz a liga do que falta para completar a “cadeia”. Os outros 12 aminoácidos necessários para fechar a cadeia proteica nosso corpo sintetiza a partir desses oito aminoácidos essenciais que comemos de vegetais.

A essa liga deu-se o nome de proteína, do grego, proteíos, o que está na origem de todos os tecidos de todos os organismos, das plantas aos animais. Todas as reações das plantas são estudadas hoje a partir de reações proteicas à luz, ao calor, à umidade, à fricção etc. Essa proteína forma o campo sensível das plantas. Proteína nada mais é do que uma cadeia à base de compostos de carbono, oxigênio, nitrogênio e hidrogênio.

Os animais mais fortes da terra obtêm as famosas “proteínas”, essas cadeias de compostos listados, a partir das plantas: elefantes, girafas, hipopótamos, cavalos, bovinos. E a eles não falta força muscular, longevidade e saúde. Porque a cadeia proteica original é vegetal.

Portanto, se alguém apela para o argumento de que Deus nos fez dependentes da proteína, nos fez “proteínas”, por favor, não o aleije. Ele, se é que o foi, fez a base proteica para todos os organismos vivos, plasmando aqueles compostos de carbono, oxigênio, nitrogênio e hidrogênio. Nada mais simples. Nada mais misterioso. Nada mais fascinante do que essa base sem a qual não existe nenhum organismo, portanto, nem um ser vivo, seja ele vegetal ou animal.

Em momento algum nosso corpo humano foi “criado” ou evoluiu dependente de “cadeias proteicas animalizadas”. Precisamos parar a frase na palavra proteicas. Cadeia proteica. Ela é a base da vida de organismos vegetais, animais, e de algum outro que não possa ser incluído nessas duas categorias. Não precisamos comer pedaços de carne de animais para obter proteínas. Nosso corpo sabe como juntar as moléculas e formar os aminoácidos complementares aos que ingerimos.

Quanto mais estudo, mais encontro informações sobre proteínas que as pessoas nunca acessaram, que os médicos escondem de seus pacientes. Uma delas foi a de que uma pesquisa feita com ratos no início do século passado serviu para montar a dieta insana que ora seguimos mundo afora, baseada nas tais das proteínas animalizadas. Essa dieta animalizada fez ratos crescerem em tempo recorde. E daí, os médicos do agronegócio inventaram o mito de que para crescer precisamos de proteínas animais. Como se vegetarianos e veganos não crescessem! Eles crescem, sim, mas a idade de crescimento deles é diferente da de crianças carnistas. Veganas e veganos não crescem tanto no início da infância e seguem o tempo de crescimento até o final da adolescência. Tempo mais apropriado para tornar-se grande, pois se a criança fica grande muito cedo todo mundo a trata como se ela já fosse adulta. E ela ainda não o é.

Vamos ler um pouco mais sobre proteínas? Assim a gente pode escrever o que ajuda as pessoas a desmontar o mito da proteína animal como essencial para a vida do corpo da espécie animal humana. Tal mito foi criado pelos médicos financiados pelas indústrias de carnes, embutidos, leite e laticínios. Um interesse que atende bem ao bolso deles.

Eles nos contaram mentiras por quase um século. A mentira de que precisamos de cadeia proteica já fechada, portanto, de proteínas animalizadas em nossa dieta. Não precisamos. Pelo contrário. Elas enchem os corredores e as macas das emergências em qualquer hospital do mundo carnista. E a moral que corresponde a isso que comemos, hoje, é uma moral proteica animalizada, destruidora da vida no planeta. Da dele, da deles e da nossa.

Essa mentira responde pela matança de 56 a 70 bilhões de animais por ano. Essa mentira acabou com a água no planeta. Essa mentira destruiu as florestas nativas. Essa mentira leva 70% de toda comida plantada no mundo. Essa mentira envenenou a comida cultivada para os animais, envenena os animais e os humanos se locupletam com tudo isso. De olhos bem fechados.

Texto originalmente publicado na Fanpage do livro Galactolatria, Mau Deleite

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